Fraga Destaca Necessidade de Maior Sustentabilidade Fiscal
No dia 6 de novembro, Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, realizou declarações relevantes sobre a situação econômica do Brasil. Ele argumentou que uma política fiscal mais rigorosa poderia proporcionar alívio à autoridade monetária, permitindo que o Banco Central lidasse de forma mais eficaz com os choques de oferta que, atualmente, influenciam os preços, especialmente os do petróleo. Apesar disso, Fraga reconhece que a gestão atual da instituição monetária está desempenhando seu papel na luta contra a inflação, apesar dos desafios impostos.
Fraga comentou: “O Banco Central tem a responsabilidade de analisar e projetar cenários inflacionários, agindo conforme a sua diretriz. É um desafio constante a interferência de choques de oferta. É claro que, em algumas situações, o impacto pode ser positivo e reduzir tanto as pressões inflacionárias quanto as recessivas. Entretanto, o choque de oferta relacionado ao petróleo não é benéfico. O que o Banco Central tem feito é o que se pode fazer no momento”, explicou o economista.
A falta de uma política fiscal que auxilie o Banco Central foi um dos pontos críticos abordados por Fraga. Segundo ele, essa ausência tem gerado fragilidades que impactam a saúde das empresas e, consequentemente, a estabilidade do Estado brasileiro. “Precisamos de uma política fiscal que torne o trabalho do Banco Central mais viável. Já faz tempo que não temos isso, e essa situação, em última análise, compromete a saúde econômica do país”, completou o sócio-fundador da Gávea Investimentos.
Além disso, Fraga destacou que a taxa de juro no Brasil é uma das mais elevadas do mundo devido a uma série de fatores, com a política fiscal e o endividamento público se destacando. “Não dá para apontar um único fator, mas eu colocaria, sem dúvida, a política fiscal e a gestão da dívida pública como protagonistas desta realidade. Essa relação é crucial”, afirmou.
Desafios Fiscais em Ano Eleitoral
Fraga participou do XII Seminário Anual de Política Monetária, promovido pelo Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), realizado no Rio de Janeiro. Durante o evento, ele alertou sobre as armadilhas que podem surgir ao se considerar o Brasil como uma exceção em relação a outros países. Segundo ele, essa visão pode criar a falsa ideia de que soluções simples e rápidas podem resolver os problemas estruturais do país. “O Brasil é um caso singular, mas devemos ter cautela ao afirmar isso. Isso pode gerar a percepção de que há uma solução mágica. Infelizmente, nós, brasileiros, temos a tendência de buscar atalhos e soluções que evitem o custo necessário”, afirmou Fraga.
Ele ainda enfatizou que não existe Banco Central que funcione bem sem uma política fiscal sólida. “Atualmente, a nossa política fiscal é fraca. O mix da política econômica no Brasil está completamente desajustado, e essa é a questão que devemos endereçar”, ressaltou.
Em relação às preocupações fiscais, especialmente em um ano eleitoral, o economista defendeu a busca por alternativas à polarização política. “As eleições trazem sempre incertezas, mas também são uma oportunidade. Tenho sido claro em afirmar que o Brasil precisa encontrar um caminho que fuja das extremidades, não apenas por questões ideológicas, mas porque essas posições não oferecem soluções efetivas para nossos problemas reais”, concluiu ele, evitando mencionar nomes de pré-candidatos. “Meu foco agora é ouvir as propostas dos candidatos”, acrescentou Fraga.
