A Importância da Nova Concessão do Galeão
Recentemente, o Aeroporto Internacional Tom Jobim, conhecido como Galeão, no Rio de Janeiro, passou por um novo leilão de concessão, vencido pela espanhola Aena. Essa mudança é considerada um passo crucial para revitalizar o terminal carioca e aprimorar a conectividade aérea no Brasil. A experiência da Aena, que já opera em importantes aeroportos como o de Congonhas (SP) e em capitais nordestinas, será um diferencial. No entanto, a permanência das restrições de voos no Santos Dumont é vital, uma vez que esse arranjo foi responsável por dar novo ânimo ao terminal internacional.
Desafios e Oportunidades no Galeão
Após enfrentamentos que resultaram em um significativo esvaziamento, o Galeão agora ocupa a posição de terceiro aeroporto mais movimentado do Brasil, ficando atrás apenas de Guarulhos e Congonhas. A Aena apresentou uma proposta de R$ 2,9 bilhões, um ágio impressionante de mais de 200% em relação ao lance mínimo de R$ 932 milhões. Essa estratégia a colocou à frente da suíça Zurich e da atual operadora, RIOgaleão. Com o contrato, que se estende até 2039, a Aena assumirá a totalidade das operações, resultando na saída da estatal Infraero, e deverá repassar 20% de seu faturamento à União.
Expectativas Futuras para o Galeão
O Galeão foi licitado em 2013, mas as previsões otimistas sobre o fluxo de passageiros e a arrecadação nunca se concretizaram, afetadas pela crise econômica do governo Dilma Rousseff e, posteriormente, pela pandemia. Além disso, as cláusulas do contrato original impuseram ônus elevados. Como resultado, o aeroporto foi se esvaziando, perdendo espaço em relação a outros terminais. Entre 2019 e 2022, sua classificação caiu do quarto para o décimo lugar no ranking de movimentação de passageiros.
Em fevereiro de 2022, a Changi, empresa de Cingapura e parceira da RIOgaleão, anunciou planos de se retirar da concessão. Com a mudança de governo em 2023, a empresa manifestou interesse em permanecer, mas solicitou modificações nas regras contratuais. Entretanto, tais alterações exigiriam uma nova licitação. Logo, foi acordada uma licitação simplificada, com regras mais flexíveis, facilitando a participação da operadora atual.
A Necessidade de Coordenação entre os Aeroportos
Não bastam apenas esforços para repactuar a concessão do Galeão; é essencial assegurar a viabilidade do negócio por meio de um entendimento entre os aeroportos. Após negociações complexas envolvendo os governos federal, estadual e a Prefeitura do Rio, um consenso foi alcançado para limitar o número de voos no Santos Dumont, que estava saturado, enquanto o Galeão enfrentava um período de inatividade. Com as novas restrições, espera-se que o Galeão atinja a marca de 17,5 milhões de passageiros em 2025, representando um aumento próximo de 24% em relação ao ano anterior, um recorde histórico, embora ainda abaixo da capacidade projetada de 37 milhões.
Expectativas de Crescimento para o Turismo
A nova concessão promete atrair companhias aéreas e expandir o número de voos, o que representa um ponto positivo tanto para o Rio de Janeiro quanto para o Brasil como um todo. Entretanto, a continuidade desse ciclo virtuoso depende da manutenção das restrições no Santos Dumont. O acordo que estabelece compensações para a Aena em caso de aumento de voos no Santos Dumont pode reduzir riscos, mas é essencial entender que essa limitação é uma questão de interesse público. Não se trata apenas de equilibrar a infraestrutura urbana do Rio, mas também de transformar o Galeão em um hub nacional de voos, explorando seu potencial como a principal porta de entrada de turistas no Brasil.
A viabilidade do Galeão está intimamente ligada à coordenação com o Santos Dumont, assim como acontece em outras cidades ao redor do mundo. Se houver um desbalanceamento, mesmo a melhor gestão não será capaz de reverter a situação, e nenhuma licitação poderá solucionar os problemas.
