O Papel Feminino na Floricultura Brasileira
No Brasil, o setor de flores e plantas ornamentais é reconhecido como um dos segmentos do agronegócio que mais emprega mulheres. Com aproximadamente 56% da força de trabalho composta por elas, esse número pode ultrapassar 60% em algumas regiões do país, conforme pesquisa realizada pelo Ibraflor – Instituto Brasileiro de Floricultura, em colaboração com o Cepea/Esalq-USP. A floricultura, por ser intensiva em mão de obra e abranger diversos elos da cadeia produtiva, criou um ambiente propício para a inserção e permanência das mulheres. O protagonismo feminino nesse setor vai além de números, refletindo a essência da floricultura, que demanda técnica, sensibilidade e um forte vínculo humano. Assim, o Dia Internacional da Mulher não é apenas um marco por representar 8% das vendas anuais desse mercado, mas também por evidenciar a força feminina dentro dele. Para este ano, as expectativas são de que as vendas cresçam entre 5% e 6% em comparação a 2025. “Além de gerar empregos, o setor permite que muitas mulheres conquistem autonomia financeira, fortaleçam a permanência das famílias no campo e assumam papéis estratégicos tanto dentro quanto fora da porteira”, ressalta Raquel Steltenpool, diretora de mercado do Ibraflor e produtora de flores.
Iniciativas que Fortalecem o Cooperativismo
Na Cooperativa Veiling Holambra (CVH), localizada em Santo Antônio da Posse (SP), filhas, esposas e cooperadas estão moldando um novo paradigma no cooperativismo do setor. Com o objetivo de crescer juntas, elas consolidam um movimento que une produção, conhecimento e liderança feminina. Essa iniciativa começou em dezembro de 2019, quando a cooperativa propôs a criação de um Comitê de Mulheres. O projeto, que nasceu de diálogos e reuniões, foi oficialmente inaugurado em março de 2021 e já conta com cerca de 140 mulheres. Com encontros regulares, capacitações e a participação em eventos do agronegócio, o Comitê promove desenvolvimento pessoal e profissional, além de incentivar a formação de lideranças femininas e aumentar o engajamento nas assembleias. “Mais do que um espaço de troca, o Comitê constrói bases sólidas para a ocupação de espaços estratégicos pelas mulheres. Ao incentivar o aprendizado e a colaboração, contribuímos para o crescimento sustentável da cooperativa e do setor”, explica Raíssa Swalmen, coordenadora do Comitê.
A Influência da Liderança Feminina na Cooperflora
Com cerca de 45% das cooperadas da Cooperflora sendo mulheres ou com mulheres à frente de suas gestões, o protagonismo feminino é evidente. Elas não apenas participam, mas também lideram, administrando propriedades e tomando decisões cruciais. Na sede da Cooperflora, quase metade do quadro de colaboradores é feminino, com várias mulheres ocupando posições estratégicas. Um exemplo inspirador é Mariela Grisotto, do Sítio Reijers Alegre, que lidera uma equipe majoritariamente composta por mulheres. Outro destaque é Dorian Reijers, sócia fundadora do Sítio Flores da Terra, que tem uma longa trajetória de participação feminina na Cooperflora.
Empreendedorismo Feminino no Ceará
Lucivanda Fernandes Siqueira, produtora de rosas em Ubajara (CE), foi reconhecida como a vencedora na categoria “Pequena Propriedade” do 8º Prêmio Mulheres do Agro 2025. À frente da Fazenda Santo Expedito, ela se destacou por sua gestão inovadora, voltada para a sustentabilidade e o turismo rural. Esse prêmio, um dos mais importantes do agronegócio brasileiro, valoriza mulheres que implementam práticas sustentáveis e gestão eficiente. Lucivanda tem sido uma referência no Ceará, promovendo um modelo inovador que integra agronegócio, sustentabilidade e economia criativa. Com formação em ensino e atualmente estudando Gestão de Pessoas e Agronegócio, ela aplica princípios de educação e valorização de equipe em seu dia a dia, inspirando outras mulheres a empreenderem e a fortalecerem sua presença no campo.
Transformando a Floricultura com Sustentabilidade
A Fazenda Santo Expedito, sob a liderança de Lucivanda, ampliou sua estrutura produtiva para 12 hectares e já planeja uma expansão para 16 hectares. O empreendimento conta com tanques de armazenamento e um sistema de captação de água da chuva, além de técnicas que garantem a sustentabilidade. As pétalas de rosas que não são comercializadas são reaproveitadas, seja para experiências sensoriais ou na produção de composto orgânico. Em 2019, Lucivanda lançou um passeio turístico na fazenda, valorizando a cultura da rosa, que também ajudou a impulsionar o turismo rural na região e a geração de empregos.
Inovações e Melhoramento Genético
Tereza Alves Cordeiro de Campos, fundadora da Estância Vitória em Urupá (RO), é um exemplo de dedicação e inovação no setor. Com uma trajetória de superação, ela criou uma produção própria de plantas ornamentais, tornando-se referência no Brasil. Sua estância possui cerca de 40.000 metros quadrados de estufas, onde desenvolve variedades exclusivas através de um trabalho autoral de melhoramento genético. Tereza realiza todo o processo internamente, utilizando polinização manual e observação prática. O mais recente desenvolvimento é um Caladium, ideal para cultivo em vasos, que será lançado em breve. Além de fornecer mudas para produtores de diversas regiões, ela também vende diretamente ao mercado na Ceaflor (Jaguariúna, SP).
