Investimento estratégico no Porto de Santana
O Porto de Santana, localizado no Amapá às margens do Rio Amazonas, acaba de inaugurar um novo terminal para movimentação de soja e milho, reforçando sua posição como corredor logístico essencial no Arco Norte. Com um aporte de R$ 88 milhões, a estrutura tem capacidade para armazenar 76,6 mil toneladas de grãos, ampliando as opções para o escoamento da produção agrícola brasileira aos mercados internacionais.
A operação do terminal foi iniciada pela Rocha no dia 3, em uma área de cerca de 11,7 mil metros quadrados. O projeto aproveita a localização estratégica do porto, que reduz a distância marítima para destinos importantes como Europa, América do Norte e África, facilitando o embarque e armazenamento de soja e milho.
Crescimento consistente e planos de expansão
O terminal funciona sob concessão de 25 anos, com previsão para ampliação do cais em mais 30 metros. Essa expansão permitirá a atracação de navios maiores, elevando a capacidade operacional do empreendimento e aumentando o potencial de movimentação do porto.
O lançamento do novo terminal ocorre em um momento de crescimento significativo para o Porto de Santana. Entre janeiro e maio de 2026, o complexo movimentou 1,205 milhão de toneladas em navegação de longo curso, registrando alta de 16,6% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
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Fonte: soudejuazeiro.com.br
Durante esse intervalo, 30 navios passaram pelo porto, com destaque para a movimentação de 422,1 mil toneladas de cavaco de madeira, 348,7 mil toneladas de manganês e 237,3 mil toneladas de soja. Em 2025, o porto alcançou movimentação de 3,6 milhões de toneladas, um aumento de 17,3% em relação a 2024. Deste total, 2,4 milhões de toneladas foram referentes à navegação internacional, com crescimento de 5,14%, reforçando o perfil exportador da estrutura.
Investimentos que ampliam a infraestrutura portuária
A expansão da Rocha está inserida em um ciclo maior de investimentos na infraestrutura portuária de Santana. Em fevereiro, o terminal MCP01 foi adquirido pela CS Infra, com previsão de aproximadamente R$ 150 milhões em investimentos ao longo dos 25 anos de contrato.
Com área de 30,5 mil metros quadrados e capacidade dinâmica estimada em 1,2 milhão de toneladas anuais, o MCP01 receberá obras de pavimentação, drenagem, sistemas de combate a incêndio, construção de edificações e revitalização da sinalização aquaviária. Esse terminal será focado na movimentação e armazenagem de granéis sólidos vegetais, como grãos e cavaco de madeira, somando-se ao MCP03, arrendado em 2025, que também contribui para ampliar a capacidade do porto para atender o agronegócio e outras cadeias produtivas da região Norte.
Além disso, o terminal privado da Cianport, em fase de obras na Ilha de Santana, promete ampliar a capacidade operacional do complexo, recebendo cargas do agronegócio e outras commodities para os mercados nacional e internacional. As autoridades da Companhia Docas de Santana acompanham de perto o andamento desse projeto, que deve estimular novos investimentos em armazenagem, transporte e serviços logísticos.
Rota Norte e a logística do agronegócio
O crescimento do Porto de Santana acompanha a consolidação da Rota Norte, corredor logístico que conecta a produção agrícola do Centro-Oeste às hidrovias e portos amazônicos. Em 2025, o porto recebeu quase 1,183 milhão de toneladas transportadas por balsas graneleiras, com aumento de 35,5% em relação ao ano anterior.
Os desembarques de soja por navegação interior avançaram 63,2%, enquanto os de milho cresceram 42%. Esses números indicam que o porto vem ampliando sua função como ponto de transbordo entre as hidrovias amazônicas e a navegação de longo curso.
A expansão do Arco Norte ajuda a distribuir melhor o fluxo de cargas, que tradicionalmente se concentrou nos portos das regiões Sul e Sudeste. Para produtores do norte de Mato Grosso e outras áreas do Centro-Oeste, as rotas que passam pela Amazônia reduzem distâncias terrestres, tempo de transporte e consumo de combustível.
Porém, a eficiência desses corredores ainda depende da integração entre terminais, rodovias e hidrovias. Gargalos nos acessos terrestres, necessidade de sinalização dos rios, dragagens e limitações operacionais são desafios que precisam ser superados para avançar na logística da região Norte do país.
