Bonnie Tyler e seu adeus em Portugal
A cantora galesa Bonnie Tyler, conhecida mundialmente pelo hit “Total eclipse of the heart“, morreu aos 75 anos na quarta-feira (8), em Faro, no sul de Portugal. Internada desde 30 de abril para uma cirurgia de emergência devido a uma perfuração no intestino, seu quadro se agravou nos últimos dias, culminando em coma induzido e transferência para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Raízes e início da carreira
Nascida Gaynor Hopkins em 8 de junho de 1952, em Skewen, País de Gales, Bonnie veio de uma família protestante profundamente religiosa. Filha de Glyndŵr Hopkins, mineiro e veterano da Segunda Guerra Mundial, e Elsie Hopkins, dona de casa, ela começou a cantar ainda criança em uma capela, interpretando o hino anglicano “All things bright and beautiful”. Influenciada pelos irmãos, descobriu artistas pop como Elvis Presley, Frank Sinatra e os Beatles.
Após deixar a escola aos 16 anos, sem diploma, Tyler trabalhou em um mercado e, incentivada por uma tia, participou de um concurso de talentos em 1969, ficando em segundo lugar. Essa experiência a motivou a seguir carreira musical, inicialmente como backing vocal e depois formando sua própria banda, Imagination. Para evitar confusões com outra cantora galesa, Mary Hopkin, adotou o nome Sherene Davis antes de finalmente escolher Bonnie Tyler, inspirado em uma lista de nomes em um jornal.
Ascensão e marca vocal
Em 1976, lançou seu primeiro single como Bonnie Tyler, “My! My! Honeycomb”, que não teve sucesso comercial. Já o seguinte, “Lost in France”, alcançou o 9º lugar nas paradas do Reino Unido e lhe garantiu aparição no programa “Top of the Pops”. Uma cirurgia para remoção de nódulos nas cordas vocais em 1977 mudou para sempre sua voz: um grito frustrado durante o repouso causou o tom rouco que se tornou sua assinatura.
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Logo depois, seu sucesso internacional “It’s a heartache” entrou para as paradas britânicas e americanas, abrindo caminho para a primeira turnê nos Estados Unidos, onde abriu shows para Tom Jones. Em 1979, representou o Reino Unido no Festival Mundial de Canções Populares no Japão, conquistando o Grand Prix Internacional com “Sitting on the edge of the ocean”.
O auge com ‘Total Eclipse of the Heart’
Em 1982, após trocar a RCA pela CBS Columbia, Tyler começou a trabalhar com o produtor Jim Steinman, responsável por compor e produzir “Total eclipse of the heart”. Lançada em fevereiro de 1983, a música se tornou um dos singles mais vendidos do Reino Unido, com mais de seis milhões de cópias comercializadas. O álbum “Faster than the speed of night” estreou no topo das paradas britânicas e atingiu o 4º lugar na Billboard 200 nos Estados Unidos, vendendo mais de um milhão de cópias.
Em 1984, Tyler lançou “Holding out for a hero”, tema da trilha sonora de “Footloose”, e no ano seguinte recebeu indicação ao Grammy por “Here she comes”, faixa da restauração do clássico “Metrópolis” (1927). Ela também recusou convite para gravar o tema do filme “007 — Nunca mais outra vez”.
Parcerias e vida pessoal
Durante a década de 1980, colaborou com nomes como George Martin, Elton John e Mike Oldfield. Entre suas parcerias, destaca-se o dueto com o cantor brasileiro Fábio Jr. na canção “Sem limites para sonhar”. Bonnie e o marido, Robert Sullivan, adquiriram uma residência em Albufeira, Algarve, e uma fazenda na Nova Zelândia, mantendo também uma casa em Londres.
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Continuidade na carreira e causas sociais
Bonnie Tyler não cessou sua atividade musical ao longo da vida. Em 2022, realizou sua primeira turnê no Brasil, com apresentações em Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Em 2023, lançou o álbum “Together”, produzido por David Guetta e Hypaton, que obteve sucesso nas paradas francesas.
Além da música, Tyler engajou-se em causas sociais, participando de campanhas beneficentes como o Projeto Anti-Heroína (1986), Ferry Aid (1987) e Rock Against Repatriation (1990). Também apoiou iniciativas para crianças com paralisia cerebral, vítimas do tsunami no Oceano Índico em 2004 e da pandemia de COVID-19 em 2020.
Legado e despedida
Bonnie Tyler deixa um legado marcado por sua voz inconfundível e canções que atravessaram gerações. Sua morte em Faro encerra um capítulo da história da música pop dos anos 1980, mas sua obra segue viva na memória dos fãs e nas paradas mundiais. O falecimento da cantora destaca a circulação cultural global, conectando sua trajetória entre o País de Gales, Portugal, Brasil e outras partes do mundo onde sua música ainda ecoa.
