Inovação na Apicultura do Amapá
No Amapá, um manejo sustentável e de baixo custo está revolucionando a apicultura e a meliponicultura. Desenvolvido por Gilberto Barbosa, tecnólogo na área e técnico de campo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), a iniciativa tem demonstrado resultados significativos ao reduzir perdas e aumentar a produtividade das colmeias. O desafio inicial enfrentado pelos apicultores era a infestação causada pelo parasitóide Plega hagenella, um agente que pode devastar colônias inteiras de abelhas sem ferrão.
A ideia surgiu a partir da experiência prática no campo e da necessidade urgente de solucionar um problema que estava desmotivando muitos produtores, a ponto de levar alguns a pensar em abandonar a atividade. Em resposta, Gilberto e sua equipe implementaram um conjunto de medidas eficazes, como a coleta manual de insetos adultos e a limpeza regular das caixas de colmeias, utilizando vassouras e pincéis. A poda das árvores visando um equilíbrio adequado entre luz e sombra, além da remoção de matéria orgânica em decomposição, foram outras práticas adotadas em meliponários.
Implementação e Resultados
Essas ações, que tinham como objetivo imediato melhorar as condições das colmeias, foram inicialmente implementadas sem um completo entendimento dos mecanismos de infestação. No entanto, o foco em intervenções diretas e consistentes começou a mostrar resultados rapidamente. O manejo tornou-se um modelo colaborativo, disseminado durante visitas técnicas que reuniam produtores para a troca de experiências e a aplicação conjunta das novas práticas.
Com o passar dos meses, os apicultores começaram a replicar e compartilhar o método, que se mostrou tão eficaz que, após aproximadamente 90 dias de adoção, os resultados começaram a aparecer de forma clara: houve um aumento no número de operárias por colmeia e a interrupção das perdas por extinção de enxames. Embora a praga não tenha sido completamente erradicada, sua ocorrência se tornou esporádica e facilmente controlável, especialmente com a manutenção contínua das práticas recomendadas.
Reconhecimento e Validação Científica
A relevância do trabalho realizado no Amapá transcendeu as fronteiras locais, ganhando reconhecimento internacional. O manejo foi validado por meio de pesquisa e apresentado no Congresso Apimondia, um dos mais importantes eventos globais da apicultura, ocorrido na Dinamarca em setembro de 2025. Este reconhecimento foi ampliado com o apoio de pesquisadores das renomadas universidades de São Paulo (USP) e Taubaté (Unitau), que validaram a eficácia das práticas adotadas.
Esse tipo de iniciativa não apenas promove a sustentabilidade na apicultura local, mas também serve como um exemplo de como a colaboração entre técnicas práticas e conhecimento acadêmico pode resultar em soluções inovadoras e eficazes. À medida que os apicultores do Amapá continuam a adotar e aprimorar essas práticas, o futuro da apicultura na região parece mais promissor do que nunca.
