Uma estrela que marcou gerações
Laura Cardoso, uma das maiores atrizes da história da televisão brasileira, faleceu aos 98 anos, deixando um legado que ultrapassa as telas e permanece vivo na memória do país. Reconhecida por sua dedicação e talento, ela mantinha um contrato vitalício com a TV Globo, onde brilhou em mais de 60 novelas e projetos que definiram a dramaturgia nacional. Seu último papel na teledramaturgia foi na novela “A Dona do Pedaço”, interpretando Matilde Azevedo. Mesmo afastada das novelas desde 2019, participou ativamente da inauguração de sua estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo em outubro de 2025, além de gravar a tradicional vinheta de fim de ano da emissora.
Do rádio ao pioneirismo na televisão
Nascida em 1927 no bairro do Bixiga, em São Paulo, Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni iniciou sua carreira aos 15 anos no radioteatro da Rádio Cosmos. Ali, construiu as bases de uma trajetória que a levaria a se tornar uma das primeiras atrizes da TV brasileira, estreando em 1952 no programa “Tribunal do Coração”, na TV Tupi. Sua trajetória inclui mais de 100 trabalhos, consolidando-se em emissoras como Tupi, Excelsior, Record, Cultura e Globo, onde começou em 1981 com a novela “Brilhante”.
Entre seus personagens mais marcantes, destacam-se Isaura, mãe de Ruth e Raquel em “Mulheres de Areia” (1993), e Guiomar, de “A Viagem” (1994). Laura também recebeu importantes reconhecimentos, como o prêmio Shell de Teatro em 1990 e 1993, a Ordem do Mérito Cultural em 2006, e o Troféu APCA por sua atuação em “Irmãos Coragem” (1995).
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Atuação no cinema, dublagem e reflexões sobre a vida
Além da televisão, Laura Cardoso teve uma presença significativa no cinema brasileiro, participando de mais de 20 filmes. Ela também marcou a dublagem nacional, dando voz à personagem Betty no desenho “Os Flintstones” nos anos 1960. No cinema, brilhou em produções como “Terra Estrangeira” (1995) e “Através da Janela” (2000), que lhe garantiu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Miami.
Conhecida pela energia incansável, Laura valorizava o trabalho contínuo e encarava a morte com naturalidade. Em 2006, afirmou que “a gente se aposenta quando vai embora”. Em entrevista de 2019 à revista Quem, ela comentou com leveza sobre o tema: “É uma besteira ter medo da morte! Ela é imprevisível, mas inevitável. Amo a vida, agradeço a Deus por ter chegado a essa idade, mas a gente um dia vai embora”.
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Fonte: aquidesalvador.com.br
