Desafios do Agronegócio Brasileiro
Maurílio Biagi Filho, empresário e presidente de honra da Agrishow, alerta para uma crise no agronegócio que, em sua visão, é mais profunda do que a atualmente divulgada. Durante entrevista ao Money Times, Biagi expressou uma perspectiva preocupante sobre a direção da política brasileira e a capacidade de comunicação do setor agrícola. “O agronegócio não sabe se comunicar na fase boa, imagina na fase ruim”, disse, enfatizando que uma crise se aproxima, visível para quem acompanha o mercado. Segundo ele, o agronegócio é comparável a uma montanha-russa, enfrentando uma fase de baixa há dois anos, exceto em alguns segmentos como café e carnes.
O empresário destacou que, enquanto o preço da saca de soja caiu drasticamente em relação ao passado, os custos de insumos e mão-de-obra aumentaram. “É uma tempestade perfeita, agravada pela taxa de juros extremamente alta”, afirma. Ele critica a postura do governo em relação ao setor, que, segundo ele, se mostra hostil à produção rural e exige um grande esforço de lobby para implementar medidas benéficas.
Expectativas e Preocupações
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A expectativa de Biagi para a Agrishow deste ano é que o volume de negócios fique levemente abaixo do recorde de 2025, que alcançou R$ 14,6 bilhões. Ele ressalta que a preocupação vai além das eleições e se concentra na condução do Brasil e na possibilidade de um desastroso impacto no agronegócio, que ele considera crucial para a economia do país, representando não 25% do PIB, mas sim 50%. “Tivemos a incompetência de arruinar nossa indústria no passado”, lamenta.
Biagi também menciona a iminente crise de fertilizantes, que continuará mesmo com possíveis acordos entre Irã e Estados Unidos. A falta de previsibilidade e a desorganização no setor preocupam o empresário, que sugere uma renegociação robusta de dívidas e uma postura mais favorável do governo em relação ao agronegócio.
A Comunicação e o Papel da Direita
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Quando questionado sobre a próxima corrida eleitoral, Biagi admitiu não ter um candidato preferido, mas criticou a direita pela falta de uma comunicação clara e eficaz. “Nós somos péssimos nisso e eu me incluo. Isso contribui para a hegemonia da esquerda na narrativa”, ponderou. Ele ressaltou que muitos políticos que participam da Agrishow deixam de se posicionar de forma transparente, o que limita o diálogo necessário entre o setor e os representantes políticos.
Embora não tenha um nome específico em mente, Biagi mencionou Augusto Cury como uma alternativa racional, destacando sua capacidade de promover diálogo e pensamento crítico entre os cidadãos. Para ele, a radicalização política que permeia o cenário atual é preocupante, e sua visão é de que há uma necessidade urgente de equilíbrio econômico e investimentos em educação.
Críticas à Política Energética
Além das questões econômicas, Maurílio Biagi Filho se debruçou sobre a política energética do Brasil, observando uma clara falta de agilidade nas decisões governamentais. Ele criticou a inação do governo diante das instabilidades do mercado energético global, especialmente em relação ao conflito no Oriente Médio. Biagi sugere que o Brasil poderia ter rapidamente promovido um aumento na mistura de etanol e biodiesel, o que geraria confiança no mercado e aproveitaria o potencial do país no setor de biocombustíveis.
Entretanto, a realidade é oposta, com decisões lentas e burocráticas, que comprometem o crescimento do setor. “O governo está mais preocupado em ganhar eleições do que em implementar boas políticas”, afirma, ressaltando que iniciativas como o aumento da mistura na gasolina demoram meses para serem aprovadas, enquanto a situação do setor se agrava.
Apesar da gravidade das questões abordadas, Biagi se permitiu fazer uma leve ironia, lembrando que o álcool, que atualmente enfrenta uma queda histórica em seus preços, não depende do Estreito de Ormuz. Ele conclui enfatizando que a dívida geral está crescendo, assim como os gastos, e que o agronegócio poderia estar mais forte e seguro.
