Avanços no atendimento à doença falciforme no Amapá
Na terça-feira, 27 de outubro, Dia Nacional de Luta pelos Direitos das Pessoas com Doenças Falciformes, o Governo do Amapá destaca a expansão do atendimento especializado na saúde pública. Atualmente, o Instituto de Hematologia e Hemoterapia do Amapá (Hemoap) acompanha 126 pacientes cadastrados, sendo que 27 deles dependem de transfusões sanguíneas constantes para evitar complicações graves.
A doença falciforme, que é hereditária e não transmissível, altera o formato das hemácias, que ficam em forma de foice. Essa modificação dificulta a circulação do sangue e pode comprometer diversos órgãos, causando episódios intensos de dor. A diretora técnica do Hemoap, Hellen Bittencourt, explica que a maioria dos pacientes são crianças, adolescentes e jovens, com cerca de 75% apresentando o genótipo SS, a forma mais severa da doença.
“O acompanhamento multidisciplinar é essencial para reduzir complicações, evitar internações, prolongar a expectativa de vida e garantir qualidade de vida aos pacientes”, afirma Hellen.
Leia também: Carreta do Ministério da Saúde em Rio Branco do Sul: Atendimento Especializado para Pacientes do SUS
Leia também: Governo do Amapá moderniza cirurgias urológicas com tecnologia avançada e amplia acesso no SUS
Suporte integral e exames de alta complexidade
O atendimento começa nos primeiros dias de vida e abrange todas as faixas etárias. Além das consultas em hematologia pediátrica e adulta, os pacientes recebem acompanhamento contínuo em enfermagem, farmácia, psicologia, assistência social, nutrição e fisioterapia. Essa abordagem multiprofissional proporciona monitoramento preventivo, orientação sobre vacinação, apoio psicossocial e treinamento para o uso correto de medicamentos como a hidroxiureia.
Um avanço significativo na rede estadual é a realização do exame Doppler Transcraniano, um ultrassom não invasivo que avalia o fluxo sanguíneo nas artérias cerebrais. Esse exame permite identificar precocemente o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC), uma das complicações mais graves da doença falciforme, possibilitando intervenções antes que sequelas se desenvolvam.
O acesso ao exame é garantido por encaminhamento da rede básica, maternidades ou hospitais, facilitando a detecção rápida e o tratamento eficaz. “O diagnóstico precoce pelo Teste do Pezinho e o início imediato do acompanhamento especializado são decisivos para o prognóstico dessas crianças, permitindo que cresçam com saúde, frequentem a escola e tenham melhores perspectivas”, destaca Hellen.
Leia também: Reforma da Unidade de Saúde Ana Rosa Amorim impulsiona atendimento no Amapá
Leia também: Capacitação em ECG: aprimorando o atendimento de urgência no Amapá
Impacto social e compromisso do governo
Com uma estrutura centralizada, o Governo do Amapá evita que as famílias precisem se deslocar para outros estados para receber atendimento especializado. A oferta completa de suporte hematológico assegura a estabilidade clínica dos pacientes.
A data também reforça a importância da equidade no acesso à saúde para a população negra, grupo mais afetado geneticamente pela doença. No Amapá, mais de 77% da população se declara preta ou parda, conforme dados do IBGE, o que destaca a relevância de políticas públicas específicas para esse grupo.
