União e cooperativismo como pilares do agronegócio
O papel do cooperativismo, a organização dos produtores e a parceria entre entidades públicas e privadas ganharam destaque no encontro “Café com o Produtor”, realizado na última segunda-feira (10), na Cooperfeira Agro e Pet, em Feira de Santana. O evento reuniu o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (FAEB), Humberto Miranda, representantes da Cooperfeira, Secretaria Municipal de Agricultura, UNAGRO e produtores rurais, promovendo um debate sobre o mercado do boi, os desafios da pecuária baiana e a importância das cooperativas para proteger e organizar os produtores.
Cooperativismo: união que faz a diferença
Beto Falcão, presidente da Cooperfeira, ressaltou que a essência do cooperativismo está na união dos produtores em torno de objetivos comuns, destacando que, dentro da cooperativa, o peso nas decisões não é definido pela participação financeira. Ele enfatizou a necessidade do setor acompanhar as rápidas mudanças do mercado e buscar informações junto a entidades como a FAEB para entender os desafios e encontrar soluções práticas.
“O mundo hoje é muito ágil. Questões que antes levavam anos para acontecer, agora se desenrolam em dias”, afirmou Beto, comentando a palestra de Humberto Miranda sobre como o cooperativismo pode proteger o pecuarista diante das oscilações do mercado do boi. Segundo ele, o Brasil tem enorme potencial na produção de proteína animal, e a região de Feira de Santana conta com terras, água e condições naturais favoráveis para impulsionar a atividade agropecuária.
Desafios enfrentados pelo produtor rural
Durante o encontro, o presidente da FAEB destacou os principais obstáculos enfrentados pelos produtores rurais baianos, como a segurança no campo, infraestrutura deficitária e a falta de assistência técnica para pequenos produtores. Humberto Miranda alertou para o grave problema da segurança, que abrange desde a proteção das propriedades até a segurança pessoal.
Além disso, ele chamou atenção para as condições precárias das estradas e a instabilidade no fornecimento de energia elétrica, fatores críticos para o transporte de insumos e produtos agrícolas na Bahia, já que a logística depende quase que exclusivamente do sistema rodoviário.
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Outro ponto fundamental é a ampliação da assistência técnica. Com mais de 700 mil produtores, a maioria de pequeno porte, a Bahia precisa oferecer orientação adequada para aumentar a produtividade e a renda no campo.
Fortalecimento das cooperativas e organização dos produtores
Humberto Miranda defendeu que o fortalecimento das cooperativas é uma estratégia essencial para aumentar a competitividade da pecuária baiana, especialmente diante da globalização dos mercados. Ele ressaltou que o produtor precisa estar organizado para conquistar novos espaços e atender às exigências dos mercados internacionais.
“A carne brasileira já tem forte presença no exterior, mas a abertura de novas oportunidades depende da organização, profissionalização e da capacidade de atender diferentes demandas”, explicou o presidente da FAEB.
Papel da Prefeitura e união de forças locais
Silvaney Araújo, secretário municipal de Agricultura de Feira de Santana, destacou a tradição do município na criação de animais e no agronegócio, ressaltando que a Prefeitura está desenvolvendo um plano de ação para fomentar a atividade. Ele defendeu a cooperação entre o poder público, produtores, cooperativas, sindicatos e demais entidades para garantir sustentabilidade econômica e fortalecer o setor.
“Estamos avançando na união dos produtores e criando um plano para o desenvolvimento do agronegócio”, afirmou Silvaney, destacando que Feira de Santana é um polo importante para negócios ligados ao setor, reunindo produtores, criadores e fornecedores.
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Organização e representatividade com a UNAGRO
Luiz Bahia Neto, presidente da UNAGRO e secretário de governo, reforçou a importância da entidade na aproximação entre produtores rurais e instituições representativas do setor. Criada há cerca de três anos, a UNAGRO surgiu para unir produtores que antes enfrentavam desafios isoladamente.
Segundo Luiz, a união entre UNAGRO, Cooperfeira, FAEB, sindicatos rurais e Secretaria Municipal de Agricultura fortalece a capacidade de reivindicação e busca por soluções para problemas que impactam diretamente a produção, como a segurança no campo e defesa da propriedade.
Perspectivas para o futuro do agronegócio em Feira de Santana
Para Beto Falcão, embora ainda seja cedo para avaliar os resultados concretos do encontro, a troca de experiências e informações já representa um avanço significativo para o setor. Ele acredita que o verdadeiro impacto aparecerá com os desdobramentos práticos e os frutos que surgirão a partir dessa cooperação.
O encontro reforçou que o cooperativismo e a união entre produtores, entidades e poder público são caminhos essenciais para fortalecer o agronegócio em Feira de Santana e região, garantindo maior competitividade, sustentabilidade e oportunidades para o setor agropecuário local.
