Quando o GP de Mônaco teve só três carros na pista
Em uma das corridas mais singulares da história da Fórmula 1, o GP de Mônaco de 1996 terminou com apenas três carros cruzando a linha de chegada, apesar do grid inicial contar com 21 competidores. A prova, marcada por abandonos em sequência e condições climáticas adversas, viu Olivier Panis conquistar sua única vitória na carreira, em um cenário que entrou para os registros mais bizarros do principado.
Naquele dia, Michael Schumacher largou na pole position, seguido por Damon Hill e Jean Alesi. Com Hill na liderança do campeonato, acompanhado de Jacques Villeneuve e do próprio Schumacher, a atenção estava voltada para a disputa entre esses pilotos.
Logo no início da prova, a chuva forte provocou um acidente com Schumacher, que perdeu o controle ao passar pela zebra molhada. Além dele, outros quatro pilotos foram eliminados na largada: Rubens Barrichello, Pedro Lamy, Giancarlo Fisichella e Jos Verstappen. Ricardo Rosset também rodou, enquanto Ukyo Katayama, Pedro Paulo Diniz e Gerhard Berger enfrentaram problemas mecânicos.
Desistências em sequência e a liderança inesperada de Panis
Em apenas dez voltas, a corrida já contava com apenas 12 carros na pista. Damon Hill seguia à frente, com Alesi em segundo, mas a quebra do motor Renault da Williams de Hill, na metade da prova, mudou o cenário. Alesi assumiu a liderança, mas logo teve sua suspensão comprometida, abrindo caminho para Panis.
Nas voltas finais, uma série de abandonos continuou a reduzir o pelotão: Jacques Villeneuve e Luca Badoer sofreram acidentes, Eddie Irvine rodou e levou consigo Mika Salo e Mika Hakkinen. Ao fim, apenas Panis, David Coulthard, Johnny Herbert e Heinz-Harald Frentzen permaneceram na pista, este último recolhendo o carro sem concluir a prova.
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Assim, a vitória de Panis foi confirmada, marcando o GP com o menor número de carros que completaram a corrida na história da Fórmula 1.
Outros episódios curiosos do GP de Mônaco
O charme do circuito de Monte Carlo também é conhecido pelos momentos inusitados que já aconteceram nas suas pistas estreitas e sinuosas. Em 1955, o bicampeão Alberto Ascari liderava a prova quando perdeu o controle e caiu no mar Mediterrâneo. Apesar do susto, ele escapou com uma fratura no nariz, mas faleceu dias depois em outro acidente.
Em 2004, um diamante avaliado em cerca de R$ 1,5 milhão foi usado para promover o filme “Doze Homens e um Segredo” preso no bico do carro de Christian Klien. Após um acidente logo na primeira volta, a joia desapareceu misteriosamente na pista, sem nunca ter sido encontrada.
Em 2006, Kimi Raikkonen abandonou a corrida devido a uma falha elétrica que quase causou um incêndio no carro. Em vez de ir diretamente aos boxes, o piloto finlandês foi para seu iate ancorado na marina de Monte Carlo, demonstrando sua personalidade única.
Duelo, polêmicas e situações inusitadas na história recente
Um dos duelos mais acirrados da F1 aconteceu em 1988, quando Ayrton Senna liderava o GP mas bateu após ordem para diminuir o ritmo, saindo da corrida e indo direto para seu apartamento, frustrado pela situação. Já em 2006, Michael Schumacher foi punido por estacionar seu carro de propósito para bloquear Fernando Alonso durante a classificação, uma tática que seu ex-colega Felipe Massa confirmou anos depois.
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Mais recentemente, em 2022, um acidente entre Sergio Pérez e Carlos Sainz bloqueou o túnel do circuito, encerrando a classificação e garantindo a pole position de Charles Leclerc. O incidente impediu Max Verstappen e Lewis Hamilton de melhorarem suas posições, aumentando a tensão no grid.
Corridas caóticas e pit stops problemáticos
O GP de Mônaco também já foi palco de corridas que poucos queriam vencer, como em 1982, quando uma sequência de falhas e incidentes deixou Riccardo Patrese como vencedor apenas após cruzar a linha de chegada, sem saber da vitória até então.
Em outra ocasião, pilotos chegaram a disputar a corrida a pé após abandonos e problemas mecânicos, como Button, Ricardo Zonta e Pedro Paulo Diniz. Na mesma corrida, a direção de prova precisou realizar três largadas diferentes por falhas técnicas e mecânicas.
Quanto aos pit stops, a Red Bull protagonizou um momento difícil em 2016, quando Daniel Ricciardo teve sua troca de pneus atrasada por falta de equipamentos adequados, prejudicando sua disputa com Lewis Hamilton. Cinco anos depois, a Mercedes enfrentou situação parecida com Valtteri Bottas, que abandonou após mais de um minuto parado para troca de pneus devido a um problema com a porca da roda.
