Reabertura do Complexo Carro de Boi marca novo capítulo cultural em Feira de Santana
Na última segunda-feira (1º), Feira de Santana, na Bahia, celebrou a reabertura do Complexo Carro de Boi, um equipamento cultural emblemático da região. A cerimônia contou com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, do governador baiano Jerônimo Rodrigues, do secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, além de artistas, mestres e representantes de diversos territórios culturais do estado. Localizado ao lado do Centro de Cultura Amélio Amorim, o complexo passou por uma reforma significativa, com investimento de R$ 7,4 milhões, parte dos recursos oriundos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.
Espaços renovados e integração reforçam o uso cultural e comunitário
A reforma contemplou não apenas a recuperação das estruturas físicas, mas também a criação de novos espaços que ampliam a interação entre arte, natureza e convivência. Destacam-se o espaço Jerimum, uma área multiuso climatizada, e uma arena ao ar livre equipada com arquibancadas para espetáculos, shows intimistas, aulas de dança e outras práticas culturais. O complexo ganhou ainda áreas ajardinadas, um pomar, espaços para alimentação e zonas dedicadas a piqueniques, consolidando-se como um parque cultural para Feira de Santana.
A programação inicial da reabertura incluiu uma roda de capoeira e uma visita à feira de artesanato Mulheres Negras que Produzem. Um momento de silêncio foi feito em homenagem às vítimas de um acidente na BR-116, região de Santa Terezinha, durante a cerimônia.
O valor simbólico e social da cultura para o desenvolvimento local
Para a ministra Margareth Menezes, a entrega do Complexo Carro de Boi vai além da recuperação física do espaço. Ela ressaltou que a cultura é um elemento fundamental para a memória, identidade e desenvolvimento econômico das comunidades. “Investir em cultura é investir em memória, inspiração e orientação para as novas gerações”, afirmou. A ministra destacou ainda a importância da cultura popular na construção da identidade brasileira, apontando sua diversidade como uma solução e não um problema.
Ela também chamou atenção para o impacto do setor cultural na geração de emprego e renda, ressaltando que o complexo será fonte de oportunidades toda vez que receber eventos, festivais ou feiras. Por fim, fez um apelo para que a população local se torne guardiã do espaço, enfatizando que o equipamento é do povo e que seu cuidado é responsabilidade de todos.
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Preservação da memória sertaneja e ampliação do uso cultural
O secretário Bruno Monteiro lembrou que a requalificação do complexo iniciou em 2023, motivada pela visita do governador Jerônimo Rodrigues à cidade. O estado de degradação do espaço Jerimum levou à decisão de reconstrução integral da estrutura, já que seu formato original não pôde ser reaproveitado. A reconstrução manteve a concepção arquitetônica original, valorizando o simbolismo do Carro de Boi e do Jerimum como referências da cultura sertaneja e da identidade local.
O novo complexo oferece arena multiuso, coreto, dois palcos externos, parquinho infantil, fonte luminosa e áreas de convivência que estimulam a fruição artística. Bruno Monteiro também ressaltou o papel do espaço na aproximação entre gerações e anunciou a criação de um roteiro permanente de ocupação cultural, envolvendo escolas das redes municipal, estadual e particular.
Exposição e reconhecimento dos mestres e mestras da cultura popular
Na abertura, foi inaugurada a exposição “O Sertão de Amélio Amorim”, que reúne peças históricas e artísticas relacionadas ao complexo, incluindo acervo particular da família do arquiteto. Larissa Santana, diretora de Espaços Culturais da Bahia, destacou a importância de preservar a memória do arquiteto Amélio Amorim, que traduziu o sertão por meio da arquitetura.
A cerimônia também homenageou 27 mestres e mestras da cultura popular do Portal do Sertão, com certificados que reconhecem suas trajetórias e contribuições para a diversidade cultural baiana. Entre eles estavam representantes de manifestações tradicionais como capoeira, circo, folclore, samba e poesia, além de entidades culturais e associações comunitárias. O investimento total destinado a esses reconhecimentos somou R$ 810 mil, reforçando o compromisso com a preservação e valorização dos saberes populares.
Novos investimentos e projetos para a infraestrutura cultural em Feira de Santana
A reabertura do Carro de Boi coincidiu com anúncios importantes para o setor cultural na cidade. Foi oficializada a entrega do complexo e assinados atos institucionais para ampliar a infraestrutura cultural local, incluindo a licitação para a ampliação da taxiway do aeroporto e para a reforma completa do Centro Cultural Amélio Amorim, vizinho ao complexo.
O governador Jerônimo Rodrigues detalhou que o edital para a reforma do Centro Cultural Amélio Amorim será aberto em breve, com previsão de conclusão em cerca de oito meses. Durante as obras, as atividades culturais serão realocadas em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana. Ele também anunciou a abertura de um edital para definir, com participação da comunidade, as futuras ocupações artísticas, educativas e econômicas do Complexo Carro de Boi, com foco em economia solidária, agricultura familiar e empreendedorismo negro feminino.
Bahia consolida investimentos históricos em cultura e patrimônio
Desde a retomada do Ministério da Cultura, a Bahia tem recebido aportes significativos. Pela Lei Paulo Gustavo, foram destinados R$ 285,6 milhões para o audiovisual e outras áreas culturais, incluindo R$ 4,6 milhões para Feira de Santana. A Política Nacional Aldir Blanc já investiu R$ 221,7 milhões no primeiro ciclo e prevê mais de R$ 797,8 milhões até 2025, com o município recebendo parcelas que totalizam mais de R$ 15,9 milhões.
Além disso, a Lei Rouanet apresenta crescimento na região, com R$ 37,8 milhões captados em 2024 para 109 projetos culturais e um aumento previsto para 2025, chegando a R$ 49,8 milhões para 134 projetos. Feira de Santana participou com seis projetos que captaram R$ 610 mil. O Programa Rouanet Nordeste também apoia iniciativas locais em artes visuais, cultura digital, hip-hop, literatura e formação cultural.
No campo do patrimônio, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) mantém 15 intervenções em andamento na Bahia. A política de cultura de base comunitária destaca-se com 665 Pontos e Pontões de Cultura reconhecidos, além de investimentos do Prêmio Cultura Viva Sérgio Mamberti e fortalecimento dos Pontões. O estado também conta com 23 unidades dos CEUs da Cultura, cada uma com investimento aproximado de R$ 2 milhões.
Compromisso com a inclusão e fortalecimento das políticas culturais
A ministra Margareth Menezes reforçou a importância de ampliar o acesso aos investimentos culturais para grupos historicamente excluídos, como artistas, mestres, mestras e produtores tradicionais. Segundo ela, a Lei Aldir Blanc tem sido fundamental para garantir aporte direto do Governo Federal às cidades e estados, promovendo a diversidade e a inclusão no setor cultural baiano.
