A Transformação Através do Yoga
Lucila Maria dos Santos Silva, geóloga e servidora do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), redescobriu o equilíbrio em sua vida após passar por um período repleto de desafios emocionais e físicos. Com 28 anos de atuação, ela sempre foi uma profissional ativa, mas as frustrações e perdas começaram a pesar, desencadeando crises e resultando em diagnósticos de autismo, TDAH e fibromialgia.
“Eu era uma pessoa muito ativa, mas tudo foi me afetando. Chegou um momento em que eu não me reconhecia mais”, relembra Lucila, refletindo sobre suas dificuldades antes de buscar alternativas saudáveis de tratamento.
Encontro com o Cerpis
A virada na vida de Lucila ocorreu há dois anos, quando ela se dirigiu ao Centro de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Cerpis), uma unidade da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Em busca de alternativas para reduzir a quantidade de medicamentos que tomava — somando até 12 diferentes remédios —, ela desejava uma abordagem mais natural para seu tratamento.
“Eu não queria mais aquilo, queria algo mais natural,”, conta. No Cerpis, entre várias terapias, o yoga chamou sua atenção, embora, inicialmente, ela tenha hesitado: “Eu dizia: ‘Isso não é para mim, é muito lento, eu não vou conseguir’. E hoje é o yoga que me sustenta”, admite, evidenciando sua transformação.
Mudanças Profundas e Benefícios
Com a prática do yoga, Lucila notou mudanças significativas em sua vida. A respiração, que antes era acelerada, agora se tornou uma aliada no controle da ansiedade. As dores provenientes da fibromialgia diminuíram, e a qualidade do sono, que anteriormente era comprometida, melhorou consideravelmente.
“Hoje eu durmo bem, e dormir sem remédio é qualidade de vida. Antes eu acordava cansada, agora não. Não é que tudo desapareceu, mas hoje eu tenho uma qualidade de vida que eu não tinha. Eu me entendo, sei reconhecer meus limites,” compartilha.
Impacto na Vida Familiar
Além das melhorias pessoais, o yoga impactou diretamente sua relação com a família. Com uma melhor compreensão de suas condições, Lucila fortaleceu o diálogo com seus filhos e criou uma rede de apoio em casa. “A gente precisa de uma rede de apoio. E eu consegui construir isso com a minha família”, destaca.
Para ela, a continuidade da prática é essencial: “Quando a gente parou por um tempo, todo mundo piorou. O yoga, para mim, hoje, é fundamental. Não tem como ficar sem”, afirma Lucila, que aos 59 anos continua a se movimentar e a retomar planos pessoais e acadêmicos. “Enquanto tem vida, a gente pode recomeçar,” reflete, com a leveza que vem da prática do yoga.
Serviços do Cerpis e Acesso ao Bem-Estar
O Cerpis, gerido pelo Governo do Amapá, oferece à população um modelo de cuidado que integra corpo e mente, priorizando o bem-estar e a qualidade de vida. O acesso aos serviços é feito mediante encaminhamento médico, seguido de uma triagem que direciona o paciente para as terapias que melhor atendem suas necessidades.
“Entre as práticas ofertadas estão yoga, acupuntura, auriculoterapia, reiki, massagens terapêuticas e acompanhamento psicológico. Os usuários podem experimentar diversas abordagens até encontrarem aquelas que mais contribuem para o seu tratamento, seja em questões físicas ou emocionais,” explica Ângela Cid, diretora do Cerpis.
Um Caminho para Saúde Plena
A proposta do Cerpis é oferecer alternativas complementares que promovam acolhimento e saúde plena. “Em alguns casos, como em pacientes com fibromialgia, o acompanhamento pode ser contínuo, garantindo melhores resultados e mais qualidade de vida,” assegura Ângela.
Histórias como a de Lucila ilustram que o cuidado vai além do tratamento convencional — trata-se de reconstruir trajetórias, permitindo que as pessoas vivam com mais equilíbrio e bem-estar.
