Eleições Suplementares em Destaque
No último domingo (12), eleitores das cidades de Cabedelo (PB), Oiapoque (AP) e Cachoeirinha (RS) participaram de eleições suplementares para eleger novos prefeitos. As votações, programadas para acontecerem duas vezes em 2026, tiveram como pano de fundo diversas denúncias de irregularidades e corrupção que culminaram nas cassações de prefeitos anteriores.
Em Cabedelo, localizada na região metropolitana de João Pessoa, Edvaldo Neto, do Avante, foi o vencedor da disputa, obtendo um pouco mais de 16 mil votos. Ele assume a prefeitura após a condenação do ex-prefeito André Coutinho e sua vice, Camila Holanda, ambos do Avante e do PP, por abuso de poder político e econômico, incluindo a compra de votos com envolvimento de facções criminosas.
As denúncias indicam que Coutinho e Holanda haviam nomeado pessoas ligadas ao grupo conhecido como Tropa do Amigão, que é associado ao Comando Vermelho, para cargos comissionados e empregos terceirizados na prefeitura, a partir de indicações feitas pelos líderes do tráfico. Além deles, o vereador Marcio Melo, do União Brasil, também teve seu mandato cassado.
Em Oiapoque, situada no extremo norte do Brasil, a vitória foi de Inácio, do PDT, que derrotou Guido, do PP, e Sena da Dinâmica, do MDB, com uma diferença de menos de 500 votos. A cidade, que conta com aproximadamente 30,7 mil habitantes, viu a cassação do antigo prefeito, Breno Almeida, do PP, e seu vice, Arthur Lima, do Solidariedade, após Almeida ser preso pela Polícia Federal com quase R$ 100 mil, supostamente destinados à compra de votos.
Por sua vez, em Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto Alegre, Jussara Caçapava, também do Avante, foi eleita com mais de 22,5 mil votos, superando Claudine (PP), Tairone (PT) e Lais Cardoso (PSOL). O ex-prefeito Cristian Wasem, do MDB, ao lado do seu vice, o delegado João Paulo Martins, do Progressistas, foram afastados após intervenções ilegais na Câmara de Vereadores e práticas de pedaladas fiscais no Instituto de Previdência do município.
Essas eleições não foram as primeiras do ano de 2026. Em março, moradores das cidades de Potiretama, Senador Sá e Choró, todas no Ceará, também se dirigiram às urnas. Em Potiretama, Solange Campelo, do PT, foi eleita após a cassação de Luan Dantas, do PP, que enfrentou acusações de contratações irregulares durante o período pré-eleitoral, caracterizando o uso indevido da máquina pública. Ele também é suspeito de ter encomendado um incêndio na casa de um rival político.
No município de Senador Sá, Bel Júnior e sua vice, Professora Maria, ambos do PP, foram cassados por abuso de poder econômico, após organizarem uma vaquejada que, segundo a legislação eleitoral, configura showmício e é vedada. Já em Choró, Bebeto Queiroz, do PSB, foi preso logo após o pleito em 2024 e não chegou a assumir o cargo. Ele e seu vice, Bruno Jucá, do PRD, estão sob investigação da Polícia Federal por supostamente fraudar contratos de prefeituras e utilizar esses recursos para compra de votos.
Com a proximidade de outras eleições, ao menos mais cinco cidades se preparam para ir às urnas antes do pleito geral de outubro. No dia 17 de maio, os eleitores de Brejo Alegre (SP) e das cidades de Itaú e Ouro Branco, ambas no Rio Grande do Norte, farão suas escolhas. Já em 21 de junho, as eleições acontecem nas cidades mineiras de Amparo do Serra e Bonito de Minas.
