O Arquitetor por Trás do Banco Master
Daniel Vorcaro, conhecido por sua vida luxuosa, com mansões, jatinhos e festas extravagantes, teve um papel fundamental na história do Banco Master, mas também contou com a colaboração de um personagem menos visível: Benjamim Botelho de Almeida. Este operador financeiro, que atuou na arquitetura inicial do banco, foi responsável por diversas operações, incluindo transações com a Fictor, uma empresa que, em 2025, se ofereceu para adquirir o banco momentos antes de sua liquidação pelo Banco Central (BC). Botelho, que é alvo de investigações da Polícia Federal e possui um histórico extenso na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), é a mente por trás de uma complexa rede de fundos de investimentos, envolvendo captação de recursos e negociações de títulos questionáveis.
Entre as operações sob suspeita, a PF identificou “compra e venda de fundos imobiliários, debêntures e outros títulos de origem duvidosa, além da constituição de empresas de fachada e conflitos de interesse entre empresas da mesma família”.
A Vida Discreta em Portugal
Atualmente residindo em Portugal, Botelho leva uma vida discreta, com um patrimônio considerável e várias empresas, muitas conectadas a paraísos fiscais, como Delaware, nos EUA. Ele mantém algumas de suas operações em Cascais, uma região famosa por atrair a elite financeira. Enquanto Vorcaro é visto como uma figura pública, Botelho evita a exposição nas redes sociais e prefere o isolamento em seu escritório, sempre com seus icônicos óculos escuros. Ex-colaboradores relatam que ele se isolava na sua sala de vidro, utilizando o termo “chinese wall” para descrever o distanciamento que buscava manter dos seus funcionários.
Além de estar na mira da PF por fraudes em fundos ligados ao Banco Master, Botelho é central em uma transação de mais de R$ 500 milhões entre uma empresa de Vorcaro nas Ilhas Cayman e a Fictor, que anunciou a compra do Master na mesma data em que Vorcaro foi preso pela primeira vez, em 2025. A Fictor, após um mês da tentativa de aquisição, solicitou recuperação judicial, alegando dívidas de R$ 4 bilhões, e listou a Sefer, a gestora de Botelho, como sua segunda maior credora.
Histórico e Experiência no Mercado Financeiro
Diferentemente de Vorcaro, que era um novato em 2019 ao assumir o banco, Botelho acumulava uma vasta experiência no setor. Ele trabalhou no renomado Banco Garantia nos anos 1990 e fundou em 2003 a Sefer, uma gestora de fundos localizada na Avenida Faria Lima, em São Paulo. A empresa já teve outros nomes, como Foco DTVM e Índigo DTVM, e foi renomeada à medida que Botelho se viu envolvido em processos sancionadores da CVM e investigações da PF.
Entre 2019 e 2021, ele enfrentou pelo menos cinco processos sancionadores, relacionados a investimentos de fundos de pensão que teriam beneficiado empresas ligadas a Vorcaro. O que antes era investigado pela Fundo Fake agora está sob análise na Operação Compliance Zero, que levou Vorcaro a ser preso em duas ocasiões por fraudes no Master, em novembro de 2025 e março de 2026. Atualmente, Botelho é visto como um operador das supostas fraudes contábeis desde a origem do banco.
Conexões e Estruturas Complexas
A presença de Benjamim Botelho é notória também na Titan, uma holding que Vorcaro utiliza para gerenciar seus investimentos. Localizada em um prédio icônico da Faria Lima, a Titan se destaca pelo seu tamanho considerável, com 4 mil metros quadrados, mas apenas cerca de dez funcionários. A holding tem vínculos diretos com a Sefer, que administrou os fundos utilizados em transações significativas entre Vorcaro e a Fictor.
Recentemente, a Fictor solicitou recuperação judicial e listou a Sefer como uma de suas principais credoras, embora a dívida de R$ 430 milhões represente na verdade valores ainda não pagos por precatórios adquiridos pela Titan. Isso levanta questões sobre a real influência de Vorcaro nas decisões sobre o futuro da Fictor.
A Vida Empresarial em Portugal
Residindo em Portugal, junto com sua esposa, Botelho gerencia uma série de empresas, incluindo a Zeal Capital, localizada em um centro comercial em Cascais, e a Drako, que tem laços com uma controladora na Suíça. Essa rede de empresas, que busca discrição e vantagens fiscais, mostra a habilidade de Botelho em se manter no anonimato enquanto conduz operações financeiras de grande escala.
A Sefer Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, em resposta às alegações, afirmou que as informações sobre cotistas de seus fundos são protegidas por sigilo e que todas as suas operações são regulares e em conformidade com a legislação do mercado de capitais. O compromisso com a legalidade e a transparência regulatória foram reafirmados em sua declaração.
