O Impacto da Inteligência Artificial no Turismo
A inteligência artificial (IA) continua a evoluir no setor de turismo, embora haja um notável descompasso entre o que se discute e o que se pratica. O termo ‘AI-native’ vem ganhando destaque, mas, segundo especialistas, a verdadeira transformação exige mudanças estruturais significativas, investimento e uma integração que muitas empresas ainda não conseguiram alcançar, apesar da alta prioridade atribuída ao tema.
No cotidiano dos viajantes, a IA já desempenha um papel crucial, como observa Luiz Felipe Antunes, CTO da Blis AI. Ele explica que a tecnologia é utilizada para integrar dados e sistemas, elevando a eficiência e a personalização dos serviços. Recentemente, inovações têm demonstrado o potencial tangível da IA, desde a antecipação de interrupções operacionais, com soluções que atuam em tempo real, até a melhora na experiência do cliente em situações críticas.
Digitalização da Experiência do Viajante
O movimento em direção à digitalização no setor não para por aí. Um exemplo marcante é o aplicativo ‘Travel to Europe’, desenvolvido pela União Europeia. Essa ferramenta visa reduzir filas e aumentar a previsibilidade durante o processo de imigração, facilitando a vida dos turistas que visitam o continente.
A Realidade do ‘AI-Native’ no Turismo
Em uma análise sobre como a tecnologia atua nos bastidores da jornada do viajante, Antunes ressalta que a inteligência artificial vai além das simples recomendações. Ela acompanha todo o processo, desde a inspiração inicial até o pós-venda, integrando dados, sistemas e interações. Isso resulta em maior eficiência, personalização e conversão.
Apesar dessas inovações, o fato é que muitas empresas ainda consideram a IA como uma abordagem experimental. Essa perspectiva revela que a transformação para se tornar verdadeiramente ‘AI-native’ não se limita ao discurso, mas está intimamente ligada à aplicação prática no cotidiano do setor. Antunes observa que muitas operadoras subestimam a importância da integração e as complexidades associadas. No entanto, quando as soluções são escaláveis e pensadas como ‘plug and play’, a implementação pode ser mais simples do que se imagina.
Prevenção de Interrupções na Operação Turística
A parceria entre a Acai Travel e a Lumo destaca como a IA pode antecipar problemas operacionais. Com essa colaboração, é possível fornecer aos agentes de viagem previsões sobre interrupções, priorizando os passageiros mais afetados e automatizando respostas em tempo real. Essa abordagem não só melhora a eficiência no atendimento, mas também permite que as empresas lidem de forma mais eficaz com o volume crescente de disrupções.
Além de prever falhas, a tecnologia implementada executa ações, como remarcações e comunicação multicanal com os clientes, reduzindo assim o tempo de resposta e otimizando a operação das empresas.
Definindo o Conceito de ‘AI-Native’
Embora o termo ‘AI-native’ esteja em alta no turismo, sua definição ainda é nebulosa e frequentemente utilizada como um atrativo de marketing. Especialistas afirmam que para ser verdadeiramente ‘AI-native’, as empresas precisam reestruturar seus sistemas, processos e operações com base na tecnologia, o que exige investimento e mudanças profundas.
Startups têm avançado mais rapidamente nesse sentido, pois não enfrentam as limitações de sistemas legados. Por outro lado, empresas tradicionais estão em um processo de adaptação, mas ainda mantêm uma vantagem competitiva. No fim das contas, o diferencial no setor estará na aplicação estratégica da IA, sem atalhos para realmente se tornar ‘AI-native’. Apesar do crescente interesse, a realidade é que muitas empresas reconhecem a importância da IA, mas poucas alocam recursos financeiros adequados para sua implementação, o que pode atrasar a tão esperada transformação do setor.
Inovações na Imigração Europeia
Recentemente, a União Europeia lançou o aplicativo ‘Travel to Europe’, destinado a agilizar o processo de entrada de turistas no continente. Com essa ferramenta, os viajantes podem enviar informações, como passaporte e formulários, com antecedência, o que ajuda a reduzir as filas e o tempo de espera em aeroportos e fronteiras.
Integrado ao sistema chamado EES, o aplicativo complementa os métodos tradicionais de controle migratório, exigindo o envio das informações com até 72 horas de antecedência. Embora sua utilização seja opcional, a solução busca introduzir mais previsibilidade e eficiência ao processo de imigração, sem eliminar a necessidade de verificações presenciais.
O Futuro do Travel Tech Hub
Após duas edições bem-sucedidas, a terceira edição do Travel Tech Hub já está confirmada. O mais importante evento de Tecnologia para Turismo da América Latina ocorrerá no dia 24 de agosto de 2026, no Tivoli Mofarrej São Paulo Hotel. As inscrições para participar do evento já estão abertas, e os interessados podem se inscrever para garantir sua presença.
