O Poder de Davi Alcolumbre no Amapá
A Revista Piauí lança um olhar crítico sobre a atuação do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), descrevendo-o como o “governador de facto” do Amapá. Segundo a publicação, o parlamentar exerce forte influência sobre o governo estadual, os principais órgãos de controle e o Judiciário local, além de manter laços significativos em Brasília. A revista argumenta que sua “política de grupo” e sua habilidade em estabelecer alianças lhe conferem um poder que remete ao conceito de coronelismo, analisado por Victor Nunes Leal em sua obra _Coronelismo, enxada e voto_.
Em Brasília, Alcolumbre se posiciona como uma figura emblemática da nova política, ecoando o discurso que apresentou durante sua primeira posse na presidência do Senado. Essa imagem contrastante levanta questionamentos sobre a real influência que ele detém dentro do estado do Amapá, onde seu controle se consolidou após as eleições de 2022.
A reportagem da Piauí destaca que o poder de Alcolumbre se fortaleceu após sua reeleição e o apoio ao governador Clécio Luís, que venceu o pleito com 53,7% dos votos no primeiro turno. A aliança entre os dois políticos se tornou evidente com a concessão de cargos estratégicos em seu governo a aliados do senador, como a Secretaria de Justiça e Segurança Pública, um órgão vital para a gestão local.
A Regularização Fundiária e seus Desdobramentos
Um aspecto particularmente sensível da atuação de Alcolumbre se refere à regularização fundiária, tema que permanece controverso em um estado que era território federal até 1988. Em um episódio marcante, o senador, que interinamente ocupou a Presidência da República por dois dias em 2019, assinou um decreto que facilitou a venda de imóveis da União no Amapá. Essa decisão envolveu a Superintendência do Patrimônio da União (SPU), que está sob o comando de Leily Gonçalves de Andrade, cunhada de Alcolumbre.
Conforme apurado, quem deseja adquirir terras da União precisa negociar com a SPU, e relatos de empresários apontam para “negociações nos bastidores” quando os valores são altos. Embora Alcolumbre tenha negado qualquer envolvimento em irregularidades, a reportagem revela que a SPU foi utilizada para obstruir pedidos da Prefeitura de Macapá durante a administração de seu adversário, Dr. Furlan.
Conflitos e Desafios Políticos
A matéria ainda aborda os conflitos entre Alcolumbre e a família Furlan, assim como as pressões exercidas sobre o deputado Vinicius Gurgel (PL-AP), que, ao migrar para a oposição, provocou um desgaste na relação com o senador. Embora não tenha concedido entrevista, Alcolumbre respondeu a 19 perguntas enviadas pela revista, negando categoricamente ter pressionado o Judiciário. Ele classificou a narrativa envolvendo a família Furlan como “gravíssima” e sem “razoabilidade”, assegurando que os membros do Ministério Público atuam de forma independente, sem influência de parlamentares.
Sobre a situação do deputado Gurgel, Alcolumbre rechaçou a acusação de que teria exercido pressão sobre ele, caracterizando-a como “grave, ofensiva e não correspondente à realidade”. No entanto, sobre a afirmação de ser o “governador de facto” do Amapá, o senador optou por não se posicionar diretamente.
