Renovação no Galeão: Uma Nova Esperança para o Turismo Brasileiro
A licitação do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, surpreendeu ao ultrapassar as expectativas iniciais, marcando um novo capítulo para o turismo no Brasil. O leilão, realizado recentemente, terminou com um ágio impressionante de 210%, resultando na arrematação do aeroporto pela empresa espanhola Aena por R$ 2,9 bilhões. Este valor foi significativamente superior ao lance inicial de R$ 932 milhões, sendo que o governo esperava arrecadar apenas R$ 1,5 bilhão. A disputa acirrada de ofertas, que durou cerca de uma hora, viu os suíços da Zurich Airport tentando, em vão, igualar as propostas da Aena. O terceiro participante, o consórcio Rio de Janeiro Aeroporto — que inclui a gestora brasileira Vinci Compass e a Singapore Changi Airport Group, atual operadora ao lado da Infraero — chegou a fazer lances, mas não conseguiu acompanhar a agressividade das ofertas dos concorrentes.
O Galeão, que já enfrentou desafios em licitações anteriores, é um importante ponto de entrada para turistas estrangeiros, principalmente por ser o aeroporto internacional da cidade olímpica e sede da final da Copa do Mundo de 2014. Contudo, sua licitação foi feita de maneira tardia e inadequada pelo governo anterior, o que comprometeu melhorias necessárias antes dos grandes eventos esportivos. Apesar de o Brasil ter sido escolhido para sediar a Copa em 2007 e os Jogos Olímpicos em 2009, o aeroporto só foi leiloado em 2013, durante o governo de Dilma Rousseff. Isso acabou limitando o tempo disponível para implementações significativas, o que se refletiu na infraestrutura precária do Galeão na época. A escolha de uma modelagem que mantinha a Infraero com 49% de participação na concessão refletia a abordagem estatista do governo petista, uma decisão que se mostrou problemática, especialmente quando a Infraero não tinha condições financeiras para contribuir com as melhorias necessárias.
O Brasil, como um destino turístico, exige mais e melhores aeroportos internacionais, pois os que existem atualmente não conseguem atender plenamente a demanda, em grande parte devido ao baixo afluxo de turistas estrangeiros. A Infraero, debilitada financeiramente, falhou em impulsionar o Galeão, mesmo com a experiência da Changi, gestora do aeroporto de Cingapura, renomado por sua excelência. O parceiro privado da Changi, a Odebrecht, também enfrentou sérios problemas devido à Operação Lava Jato, o que complicou ainda mais a situação. Com a recessão econômica e, posteriormente, a pandemia, o movimento de passageiros caiu drasticamente, levando o aeroporto a operar com apenas um de seus dois terminais ativos em determinados períodos. Recentemente, no entanto, uma leve recuperação começou a ser notada.
Em 2022, a Changi decidiu devolver a concessão, e pelo acordo com o governo e o Tribunal de Contas da União, a empresa continuou administrando o aeroporto enquanto participava do novo leilão, que agora apresenta regras mais favoráveis à iniciativa privada, eliminando a participação da Infraero e optando por uma estrutura de pagamento baseada em porcentagem do faturamento, ao invés de valores fixos.
A atratividade do Galeão permanece inquestionável. Ele é, sem dúvida, o aeroporto internacional da cidade que, apesar de seus desafios em segurança pública, continua a ser a mais procurada por visitantes estrangeiros. Com longas pistas e uma localização privilegiada ao nível do mar, o aeroporto está apto a operar uma ampla gama de aeronaves de passageiros. A subutilização do Galeão, resultado de concessões mal estruturadas e crises econômicas, representa um desperdício inaceitável. A Aena, que já administra o aeroporto de Congonhas em São Paulo e outros terminais em diversas regiões do Brasil, terá o desafio de aproveitar a onda recente de novas rotas internacionais para o Rio de Janeiro e, assim, desbloquear todo o potencial do Galeão. É fundamental, também, que as autoridades que ainda gerenciam o Aeroporto Santos Dumont não entrem em conflito com a Aena, mas sim colaborem com os novos administradores para evitar que o aeroporto menor ofusque o Galeão, como ocorreu no passado.
