Denúncia de Preços Altos
A Associação Europeia de Torcedores de Futebol (Football Supporters Europe, FSE) ajuizou uma ação contra a Fifa, alegando que os preços dos ingressos da Copa do Mundo de 2026 são exorbitantes. A denúncia foi apresentada à Comissão Europeia na última terça-feira (24) e critica também a falta de clareza nos procedimentos de venda. Com a Copa do Mundo programada para ocorrer entre 11 de junho e 19 de julho na América do Norte, essa questão ganha relevância, especialmente em um contexto onde o acesso aos jogos deve ser viável para todos os amantes do esporte.
Juntamente com a Euroconsumers, uma entidade dedicada à defesa do consumidor, a FSE afirma que a Fifa abusou de sua posição dominante, criando uma situação em que os torcedores não têm alternativas viáveis. O comunicado da FSE destaca a urgência da questão, lembrando que, em dezembro, os torcedores já haviam solicitado à Fifa um diálogo aberto para encontrar soluções que respeitem a tradição e a universalidade da Copa do Mundo.
Comparação de Preços
Os dados trazidos pela FSE são alarmantes. Para a final, que ocorrerá em Nova Jersey, os ingressos mais baratos estão sendo vendidos a 4.185 dólares (aproximadamente R$ 21.898), uma disparidade enorme em comparação com os preços da edição anterior, realizada no Catar em 2022. Na ocasião, os ingressos mais acessíveis custavam cerca de 600 dólares. A comparação se torna ainda mais gritante ao se observar a Eurocopa de 2024, onde o preço mínimo para a final era de 95 euros, ou cerca de 100 dólares (R$ 523).
As organizações questionam a legalidade e a ética da Fifa sob as leis de concorrência da União Europeia. Elas argumentam que a entidade controla completamente a venda de ingressos para o Mundial de 2026, impondo condições inaceitáveis. A FSE lembrou que, em seus documentos de candidatura, a Fifa havia previsto um preço médio de ingresso em 1.408 dólares (R$ 7.360), uma expectativa que, segundo a associação, está muito distante da realidade atual.
Venda de Ingressos e Normas de Concorrência
A Fifa, por sua vez, apresentou informações que indicam que cerca de sete milhões de ingressos foram disponibilizados para venda. Cada torcedor tem a possibilidade de adquirir até quatro ingressos por jogo e um total de 40 para todo o torneio. É a primeira Copa do Mundo a contar com 48 seleções, totalizando 104 partidas. Contudo, é nos jogos de maior procura que os preços dispararam, levando a FSE a questionar o modelo de “tarifa dinâmica” adotado pela entidade.
Esse modelo, segundo a FSE, permite que os preços aumentem sem limites, o que cria um cenário insustentável para os torcedores. A organização critica a falta de transparência em relação à formação dos preços. Além disso, a candidatura da América do Norte havia prometido ingressos a partir de 21 dólares, mas na prática os preços iniciais foram ajustados para 60 dólares, como foi o caso da primeira partida do Grupo J entre Áustria e Jordânia, por exemplo.
As Críticas aos Preços Astronômicos
A disparidade dos preços é ainda mais preocupante quando se observa que alguns ingressos da final estão sendo revendidos a valores exorbitantes, como 143.750 dólares (R$ 752 mil), uma cifra que supera em mais de 40 vezes o valor nominal original de 3.450 dólares (R$ 18 mil). O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defende esses preços como reflexo da alta demanda. Ele explicou que nos Estados Unidos existe um sistema de “preços dinâmicos”, que ajusta os valores conforme o interesse do público.
Demandas da FSE e Euroconsumers
As organizações estão solicitando à Comissão Europeia que intervenha, exigindo da Fifa a suspensão da “tarifa dinâmica” e o congelamento dos preços nos níveis prometidos em dezembro, além da publicação antecipada do número de ingressos disponíveis em cada categoria. De acordo com a FSE e a Euroconsumers, as regras de venda são confusas e os torcedores não têm garantias sobre o local dos assentos, os mapas dos estádios e até mesmo as seleções que irão jogar no momento da compra.
Além disso, o mercado de revenda nos Estados Unidos e no Canadá não é regulado, enquanto no México a prática de revender ingressos acima do valor nominal é proibida apenas quando adquiridos com a moeda local. Essa falta de regulamentação gera ainda mais incerteza para os torcedores que desejam garantir seu lugar na Copa do Mundo.
