Ação da PF Revela Suspeitas Graves
A Polícia Federal (PF) documentou em um relatório que Breno Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre (União-AP), foi visto deixando uma agência bancária com R$ 350 mil em dinheiro. Este episódio se deu durante uma operação de monitoramento ligada a um inquérito que investiga irregularidades em licitações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Amapá. Segundo os investigadores, após sair da instituição financeira, Breno entrou em um veículo que pertence a uma empresa associada a primos do presidente do Senado.
Os documentos de vigilância da Polícia Federal revelam que a investigação se iniciou após um alerta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações financeiras atípicas nas contas de Chaves Pinto. O Coaf notou saques frequentes logo após o recebimento de dinheiro proveniente de contratos públicos, o que levantou suspeitas de lavagem de dinheiro. A partir desse ponto, a PF intensificou a vigilância sobre os movimentos financeiros e deslocamentos do empresário.
De acordo com os registros, uma das retiradas que chamou atenção aconteceu no dia 7 de novembro de 2024, em uma agência bancária localizada em Santana, município a aproximadamente 20 quilômetros de Macapá. Na ocasião, a PF recebeu informações de que Breno havia solicitado a retirada de R$ 350 mil em espécie. Agentes se posicionaram nas proximidades da agência para monitorar o processo. A investigação indicou que Chaves Pinto chegou ao local às 13h14, em uma SUV branca, portando uma mochila azul.
Constatações da Polícia e Relações Familiares
Após cerca de 30 minutos dentro da agência, o empresário deixou o local e retornou ao veículo que o aguardava. Durante a investigação, a PF constatou que o carro estava registrado em nome da Lojas 2A Ltda., empresa que pertence a Alberto Brasil Alcolumbre e André Luiz Brasil Alcolumbre, primos de Davi Alcolumbre. Documentos revelaram que a transferência do veículo para Breno Chaves ocorreu apenas em julho de 2025, nove meses depois do monitoramento. Em resposta, André Alcolumbre informou que o automóvel foi vendido em 2022, mas a formalização da transferência não foi feita na época devido a um “erro material”.
O Código de Trânsito Brasileiro estipula que a transferência de propriedade deve ser realizada em até 30 dias, caso contrário, o comprador pode ser multado. A PF, por sua vez, relatou que Chaves Pinto estaria liderando um esquema de fraudes em licitações do DNIT no Amapá, utilizando sua influência como suplente de senador para potencialmente praticar tráfico de influência. Em um relatório, a PF indicou que saques sucessivos na ordem de R$ 3 milhões teriam sido feitos em contas de empresas ligadas ao empresário, em momentos próximos à liberação de recursos públicos.
Defesa de Breno Chaves Pinto e Reações
Em nota, Breno Chaves Pinto justificou que as quantias retiradas eram destinadas ao pagamento de funcionários e prestadores de serviços. Ele enfatizou também que as informações sobre o caso estão sob segredo de Justiça, o que limita a defesa a se manifestar apenas nos autos do processo. O senador Davi Alcolumbre negou qualquer conexão com as atividades empresariais de seu suplente.
A investigação da PF ainda envolve a apuração de fraudes em licitações para manutenção da BR-156, rodovia crucial no Amapá que se estende por aproximadamente 823 quilômetros. Os contratos analisados totalizam cerca de R$ 60,2 milhões, e documentos judiciais indicam que algumas empresas envolvidas estariam simulando concorrências para direcionar contratos públicos.
Irregularidades e Auditorias Revelam Problemas
A Controladoria-Geral da União já constatou atrasos na execução de obras e possíveis irregularidades na aplicação de recursos. A investigação também aponta para trocas de mensagens entre representantes de empresas e gestores do DNIT antes da publicação de editais. Em uma conversa interceptada, um superintendente do DNIT agradeceu a Breno por um aumento de recursos destinados ao órgão, mencionando que isso se devia aos esforços do “nosso senador”, em referência a Alcolumbre. Em outra troca, o gestor solicita que Breno pressione o governo para liberar pagamentos relacionados a obras.
O DNIT não comentou os detalhes da investigação, mas reiterou seu compromisso em colaborar com as autoridades. O órgão destaca que mantém políticas de prevenção à fraude e corrupção, condenando práticas ilícitas envolvendo contratos públicos. Vale lembrar que Breno Chaves Pinto já foi alvo de uma operação da PF em dezembro de 2022, quando foram apreendidos R$ 800 mil em dinheiro em sua empresa, em uma investigação que apurava superfaturamentos em obras rodoviárias no Amapá. Na época, o empresário alegou que a devolução dos bens apreendidos foi autorizada pela Justiça e negou qualquer irregularidade nas contratações.
