Investigação Revela Saques Suspeitos e Conluio em Licitações
A Polícia Federal (PF) identificou saques suspeitos de R$ 350 mil realizados por Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre, durante uma investigação em curso sobre desvios no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O alerta que levou à monitorização de Chaves Pinto foi dado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que detectou transações financeiras incompatíveis com a renda declarada do empresário, totalizando R$ 99 milhões. Chaves também foi vinculado a um repasse de R$ 1,5 milhão destinado ao irmão de um ex-diretor do Banco Central.
A investigação da PF apura a hipótese de que Chaves Pinto lidera um esquema criminoso que simula concorrência em licitações do Dnit, especialmente voltadas para obras no Amapá. Segundo o inquérito, o empresário exercia forte influência nos processos licitatórios, utilizando seu cargo de suplente de senador para praticar, em tese, tráfico de influência. O relatório da PF destaca que os saques em espécie, que superam R$ 3 milhões, foram realizados em datas próximas ao recebimento de recursos oriundos de contratos públicos, evidenciando possíveis indícios de lavagem de dinheiro.
Ao ser questionado, Chaves Pinto alegou que os saques eram referentes a pagamentos de funcionários e prestadores de serviços de sua empresa. Ele enfatizou que o processo está sob sigilo de Justiça, ressaltando que sua defesa se manifesta apenas nos autos, em conformidade com as determinações legais. O senador Davi Alcolumbre, por sua vez, declarou que não tem qualquer relação com as atividades empresariais de seu suplente.
Monitoramento de Saques e Veículo Suspeito
As investigações revelaram uma série de saques em espécie, com um dos registros mais significativos ocorrendo em uma agência bancária em Santana (AP), onde Chaves Pinto retirou R$ 350 mil. A PF acompanhou o movimento e monitorou não apenas a retirada, mas também o uso de um veículo que pertence a Lojas 2A Ltda., empresa cujos sócios são primos de Alcolumbre. A venda desse carro para Chaves Pinto foi registrada posteriormente, levantando questionamentos sobre a validade da transação, especialmente considerando a proximidade com a operação da PF.
A contratação de um veículo que, supostamente, esteve envolvido em atividades ilícitas em um momento tão próximo da operação levanta dúvidas sobre a real natureza da relação entre os envolvidos. Para corroborar, André Alcolumbre, um dos sócios de Lojas 2A, afirmou que a venda foi, de fato, realizada, mas que a formalização da transferência teve um erro material, algo que não se alinha às normas do Código de Trânsito Brasileiro.
Desvios e Fraudes no Dnit: A Profundidade da Investigação
A investigação do Dnit revelou uma organização criminosa supostamente responsável por fraudes em licitações, comprometendo a competitividade dos processos. Documentos interceptados pela PF mostraram comunicação entre o superintendente local e Chaves Pinto antes mesmo da publicação dos editais das licitações. Em um diálogo, o superintendente agradeceu a Alcolumbre por um aumento nos recursos do Dnit, evidenciando como a influência política estaria sendo utilizada para vantagens financeiras.
Além disso, a investigação foi impulsionada por denúncias que apontavam favorecimento a algumas empresas em quatro licitações. Relatórios da Controladoria-Geral da União destacaram indícios de lavagem de dinheiro, possíveis desvios de recursos e um esquema que envolvia tanto agentes públicos quanto empresários. Os contratos sob investigação somam R$ 60,2 milhões, voltados para a manutenção e recuperação de trechos da BR-156, uma rodovia que é vital para a conectividade e o acesso da população aos serviços essenciais no Amapá.
Em dezembro de 2022, Chaves Pinto já havia enfrentado problemas legais, sendo alvo de uma operação da PF onde foram apreendidos R$ 800 mil durante investigações sobre fraudes e superfaturamento em obras no Amapá. A luta contra a corrupção e as irregularidades nas contratações públicas continua sendo uma prioridade das autoridades, enquanto Chaves, que enfrenta diversas acusações, insiste na legalidade de suas ações e na inocência em relação às acusações.
