A Vulnerabilidade da Agricultura Brasileira
Em uma plantação de soja que ocupa uma área equivalente a 1.200 campos de futebol, o produtor rural Adriano Aparecido de Almeida compartilhou sua realidade em Araxá, Minas Gerais. Enquanto abria uma fava com as mãos, mostrando os grãos prestes a descolar da casca, ele revelou que a colheita está próxima.
Esse ciclo de quase cinco meses de cuidados envolve o uso de 300 toneladas de fertilizantes, essenciais para a soja, sendo os principais nutrientes o nitrogênio, fósforo e potássio — o conhecido trio NPK. O investimento em fertilizantes é crucial para manter a produtividade, mas a agricultura brasileira enfrenta uma forte dependência do mercado internacional.
Dependência do Mercado Internacional
De acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), impressionantes 85% dos adubos utilizados no Brasil são importados. Essa dependência eleva a vulnerabilidade do país a diversas situações, como taxações, mudanças climáticas, conflitos e a oferta limitada no mercado global. A lista dos dez maiores fornecedores de fertilizantes inclui países que enfrentam instabilidades, como China, Rússia, Canadá, Marrocos, Egito, Nigéria, Israel, Omã, Arábia Saudita e Estados Unidos.
Especialistas consultados coincidem que os fertilizantes são fundamentais para a economia nacional, considerando que a cadeia do agronegócio representa cerca de 23% do PIB do Brasil, conforme apontam pesquisas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A importação em larga escala pode comprometer a produção de alimentos.
Tensões Geopolíticas e a Segurança Alimentar
Essa preocupação foi amplamente discutida no Fórum Econômico Mundial, realizado na Suíça no final de janeiro deste ano. O relatório do evento destaca que interrupções no envio de insumos e tensões geopolíticas aumentam o risco de escassez de alimentos. Como alternativa, o documento sugere a necessidade de investimentos no setor agrícola, especialmente em pequenos produtores e tecnologia.
No Brasil, cerca de 60 empresas nacionais atuam na fabricação e distribuição de fertilizantes, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Jair Unfried, diretor de negócios de uma dessas empresas, ressaltou que a indústria local não apenas gera empregos, mas também pesquisa as condições dos agricultores e as características das terras brasileiras. Além disso, essas empresas buscam inovações, explorando matérias-primas locais, seja através de extrações alternativas ou de opções sustentáveis.
Iniciativas Governamentais em Prol da Sustentabilidade
Esse compromisso com a inovação e a sustentabilidade é compartilhado pelo Governo Federal, que estabeleceu a meta de reduzir pela metade a dependência de insumos importados até 2050, por meio do Plano Nacional de Fertilizantes.
O futuro do agronegócio brasileiro depende dessas iniciativas que buscam garantir segurança, previsibilidade e manter o Brasil como líder na produção global de uma variedade de alimentos. Um futuro que não pode ser negligenciado, dado o papel fundamental da agricultura na economia e na alimentação da população.
