Letras de Crédito do Agronegócio em Alta
As Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) permanecem como a principal fonte de recursos privados para o financiamento das atividades agropecuárias no Brasil. Em janeiro de 2024, o estoque desses títulos alcançou a marca de R$ 589 bilhões, refletindo um crescimento de 11% em relação ao mesmo período do ano passado. Desse total, pelo menos R$ 353 bilhões foram reaplicados diretamente no financiamento rural, apresentando um avanço expressivo de 34% em comparação ao ano anterior.
Esses dados foram extraídos da nova edição do Boletim de Finanças Privadas do Agro, que já está acessível no site do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O boletim é desenvolvido pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário e reúne informações do Banco Central do Brasil, da Comissão de Valores Mobiliários e de registradoras como B3, CERC e CRDC.
Desempenho das Cédulas de Produto Rural
Outro instrumento importante para o crédito no setor agropecuário, as Cédulas de Produto Rural (CPRs), também mostraram um desempenho positivo. O estoque total destas cédulas atingiu R$ 560 bilhões em janeiro, o que representa uma alta de 17% nos últimos 12 meses. Na atual safra, compreendida entre julho de 2025 e janeiro de 2026, foram registrados R$ 231 bilhões em CPRs. Apesar do volume expressivo, esse montante demonstra uma queda de 5% em relação à safra anterior.
Crescimento dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio
Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) também mantiveram uma trajetória de crescimento, alcançando R$ 177 bilhões em estoque, com um aumento de 16% em relação ao ano passado. Embora movimentem valores inferiores aos das LCAs e CPRs, os CRAs desempenham um papel estratégico ao aumentar a presença dos títulos do agronegócio no mercado de capitais, conectando cadeias produtivas a investidores institucionais e pessoas físicas.
Retração dos Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio
Por outro lado, os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs) enfrentaram uma retração. O estoque desses títulos caiu 15% na comparação anual, totalizando R$ 31 bilhões ao final de janeiro. Esses títulos são emitidos exclusivamente por cooperativas de produtores rurais ou por entidades que atuam nas cadeias do agronegócio, com foco no financiamento de suas próprias operações.
Retomada dos Dados sobre Fiagro
O boletim mais recente também sinaliza a retomada da divulgação de dados sobre o desempenho dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro) no financiamento privado do setor. Essa divulgação havia sido suspensa em março do ano anterior, devido à necessidade de adaptação desses fundos às novas normas do Anexo VI da Resolução CVM 175. Criados em 2021, os Fiagro, após quatro anos de operação, conseguiram atingir um patrimônio líquido de R$ 47 bilhões em dezembro de 2025, distribuídos entre 256 fundos em funcionamento.
