Cúpula do Congresso em Alerta
Aliados dos líderes legislativos, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), afirmam que o Congresso já está em movimento para derrubar o veto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve impor ao projeto da dosimetria. Essa proposta, aprovada pelo Legislativo no final de 2025, visa beneficiar condenados por ataques golpistas. A articulação dos parlamentares indica que estão confiantes em reunir o número necessário de votos para reverter essa decisão.
O desdobramento da situação é reforçado pela expectativa de que Lula formalize seu veto durante um ato que marca os três anos de episódios antidemocráticos, programado para esta quinta-feira. Essa possibilidade reacende as tensões entre o Executivo e o Legislativo, especialmente na Câmara, onde a proposta contou com um suporte considerável, superando 300 votos a favor.
Expectativas e Consequências Políticas
Embora a cúpula do Congresso esteja mobilizada, a ausência de Motta e Alcolumbre no evento do governo é vista como uma estratégia de cautela, onde se evita uma adesão explícita ao gesto simbólico do governo. A postura ressoa uma resistência implícita, sem potencializar um confronto aberto. Para o presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), aliado próximo a Motta, o cenário é claro: “Temos votos suficientes para derrubar o veto, que será visto como uma afronta ao Legislativo”, afirmou.
Nogueira destaca que a dosimetria foi aprovada no Congresso com uma maioria robusta, e antecipa que a tentativa de veto por parte de Lula se configura mais como uma manobra política do que uma decisão pragmática. Ele ressalta: “Não faz sentido que Hugo e Alcolumbre compareçam a um evento que pode validar um veto que desrespeita o Parlamento, e isso já diz muito sobre a postura do Congresso em relação a essa situação.”
Contexto e Mobilizações Recentes
A votação na Câmara confirmou 291 votos favoráveis ao PL da Dosimetria, enquanto no Senado o apoio foi expresso com 48 votos a 25. Para que um veto presidencial seja derrubado, é necessário o apoio de, pelo menos, 257 deputados e 41 senadores. A movimentação em torno desse projeto reflete não apenas uma crítica direta ao governo, mas também um teste significativo das relações entre os poderes no Brasil, especialmente no início de 2026.
Nos últimos anos, tanto o presidente da Câmara quanto o do Senado têm evitado participar de atos de memória e repúdio relacionados à invasão dos Três Poderes. Essa postura alimenta a percepção de um distanciamento entre o Legislativo e o governo, algo que poderá influenciar as dinâmicas políticas futuras.
O projeto da dosimetria, portanto, transformou-se em um ponto de contenda que não apenas coloca em evidência a habilidade do Congresso em se articular, mas também reafirma as divisões crescentes nas abordagens políticas de Lula e da cúpula do Legislativo. As próximas semanas prometem intensificar ainda mais esse embate, à medida que as estratégias e decisões forem delineadas.
