Situação do Vazamento e Medidas Adotadas
A Petrobras confirmou, nesta semana, um vazamento de fluido biodegradável durante perfuração na Foz do Amazonas, segundo informações do Ibama. A estatal informou que a perda do fluido foi rapidamente contida e isolada, com planos de trazer as linhas à superfície para avaliação e reparo. Em nota, a empresa assegurou que não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total segurança. ‘A ocorrência não oferece riscos à segurança da operação de perfuração’, destacou a companhia.
A Petrobras também ressaltou que todas as medidas de controle foram executadas e que os órgãos competentes foram notificados sobre o incidente. O fluido utilizado na perfuração atende aos limites de toxicidade estabelecidos e é biodegradável, o que, segundo a empresa, minimiza danos ao meio ambiente e à saúde pública.
Licenciamento e Localização do Poço
O Ibama havia concedido à Petrobras a licença para explorar o primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas no dia 20 de outubro, após um processo que começou em 2020. A perfuração teve início no mesmo dia da autorização e está sendo realizada em um poço com profundidade total de 7.081 metros, sendo 2.880 metros correspondentes à profundidade da água. O local da perfuração está situado no bloco FZA-M-059, em águas profundas do Amapá, a 500 km da foz do Rio Amazonas e a 175 km da costa, na Margem Equatorial brasileira.
A exploração da Petrobras nessa região tem gerado críticas de ambientalistas, que apontam a alta biodiversidade do local e a presença de comunidades indígenas e manguezais como áreas de preocupação. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que a parte noroeste da bacia pode conter cerca de 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente (boe), um volume significativo quando comparado às reservas comprovadas da Petrobras, que somam 11,4 bilhões de boe.
A Recuperação e Críticas Ambientais
Fontes indicam que a Petrobras levará de 10 a 15 dias para reparar os dois dutos que apresentaram problemas. O vazamento de fluido é uma ocorrência comum nas operações de exploração da estatal, com três das últimas seis perfurações enfrentando situações semelhantes. Uma fonte técnica do setor enfatizou que, por ser biodegradável e não conter petróleo, o fluido não causaria impactos sérios ao meio ambiente, conforme estipulações do Ibama.
No entanto, ambientalistas expressaram preocupação com o vazamento. O Instituto Internacional Arayara afirmou que, mesmo com a alegação da Petrobras sobre a ausência de impactos ambientais imediatos, incidentes como este revelam os riscos associados à exploração de petróleo em regiões ecologicamente sensíveis. ‘As incertezas sobre o fluxo das correntes intensas ainda não são totalmente conhecidas, tornando essa atividade mais insegura’, completou o instituto.
Além disso, o Instituto Arayara destacou que não faltaram avisos sobre os riscos da exploração de petróleo nesta área. Assim que a liberação para perfuração foi anunciada, entidades indígenas e organizações civis, incluindo o próprio instituto, apresentaram ações legais solicitando a anulação da licença de exploração.
Expectativas para a Perfuração
A duração da perfuração do poço é estimada em cinco meses. Nesse estágio exploratório, a Petrobras busca obter mais informações geológicas e avaliar se há presença de petróleo e gás em uma escala econômica. Até o momento, a fase não contempla produção de petróleo, sendo um momento crucial para entender a viabilidade da exploração na região.
