Vazamento de Fluido e Interrupção de Perfuração
O Ministério Público Federal (MPF) em Amapá requisitou explicações à Petrobras e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a respeito de um vazamento de fluido que ocasionou a interrupção das atividades de perfuração na Foz do Amazonas no último domingo (4). De acordo com os documentos enviados, a procuradoria pediu informações “com urgência” e estabeleceu um prazo de 48 horas para que as respostas sejam apresentadas. Os ofícios foram encaminhados na terça-feira (6), logo após o caso ser noticiado pela mídia.
Esta iniciativa faz parte de um inquérito civil aberto em 2018 para investigar a regularidade do licenciamento ambiental do Ibama em relação ao projeto da Petrobras na região, afirmou o órgão em uma nota oficial.
Detalhes do Incidente
A Petrobras comunicou na terça-feira que suspendeu a perfuração na Foz do Amazonas após identificar a perda de fluido em duas linhas auxiliares, que são tubulações de suporte que conectam o navio-sonda ao poço Morpho. Esta área está localizada a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá. Segundo a estatal, o vazamento foi detectado no domingo e foi imediatamente contido e isolado. A operação foi paralisada para que as tubulações fossem retiradas, avaliadas e reparadas.
O Ibama informou que foi alertado sobre o incidente e garantiu que não houve vazamento de petróleo. O fluido liberado é conhecido como “lama de perfuração”, utilizado para resfriar a broca, remover fragmentos de rocha e controlar a pressão do poço. Este fluido á base de água contém aditivos de baixa toxicidade, comuns em atividades de perfuração marítima.
A Petrobras enfatizou que não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em condições seguras. A companhia destacou que a ocorrência não representa riscos para a segurança da operação de perfuração.
Medidas de Controle e Comunicado do Ibama
Na nota, a Petrobras reafirmou que adotou todas as medidas de controle necessárias e notificou os órgãos competentes. O fluido utilizado atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, não apresentando danos ao meio ambiente ou à saúde pública.
Rodrigo Agostinho, presidente do Ibama, detalhou que o vazamento foi causado por um problema de despressurização. Ele esclareceu que o líquido que vazou é um fluido hidráulico biodegradável e que não há petróleo no local do incidente. O presidente do Ibama informou ainda que a Petrobras estabeleceu contato com o instituto desde segunda-feira (5) e que o plano de emergência está sendo seguido conforme o previsto. “Nos próximos dias, a Petrobras fará os reparos e retomará os trabalhos.”
Exploração na Foz do Amazonas
Em outubro de 2025, o Ibama autorizou a Petrobras a realizar perfurações em águas profundas na Foz do Amazonas, uma região que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte. Essa autorização é exclusiva para atividades de pesquisa exploratória. A exploração na área é alvo de críticas por parte de ambientalistas, enquanto especialistas em petróleo destacam sua relevância para a produção energética.
A perfuração teve início logo após a liberação do Ibama e está prevista para durar cerca de cinco meses. Os impactos concretos da atividade só poderão ser avaliados após esse período. Neste estágio, não há produção de petróleo; trata-se apenas de pesquisa exploratória. Entretanto, essa etapa é percebida como uma derrota para os opositores à exploração na região.
De acordo com a Petrobras, a atividade visa coletar dados geológicos que ajudem a identificar a presença de petróleo e gás em quantidade comercial. As perfurações acontecem no bloco FZA-M-059, situado em mar aberto, a cerca de 175 km da costa do Amapá e 500 km da foz do Rio Amazonas, em uma área de águas profundas.
A Margem Equatorial brasileira é considerada uma nova fronteira para exploração de petróleo e gás, com potencial para se tornar um novo “pré-sal”, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). O governo estima que a região possui reservas que poderiam permitir a exploração de até 1,1 milhão de barris de petróleo por dia.
Com isso, seria viável extrair até 10 bilhões de barris de petróleo, o que poderia garantir ao Brasil a capacidade de suprir suas necessidades até 2030, sem depender de importações.
