MPF dá prazo para respostas sobre vazamento em poço de petróleo
O Ministério Público Federal (MPF) no Amapá intensificou as investigações sobre um vazamento de fluido biodegradável em um poço de petróleo da Petrobras na Foz do Amazonas. Em um comunicado de urgência, o MPF estabeleceu um prazo de 48 horas para que a estatal e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apresentem informações detalhadas. Os ofícios foram encaminhados ontem, conforme informado pela Procuradoria da República no estado.
Este movimento ocorre no contexto de um inquérito civil que está em andamento desde 2018, o qual investiga possíveis irregularidades no processo de licenciamento ambiental concedido pelo Ibama à Petrobras para a exploração da área. Recentemente, a estatal iniciou a perfuração do primeiro poço na região.
Entenda o que ocorreu
Na última semana, a Petrobras relatou que, no último domingo, ocorreu uma perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares conectadas à sonda do poço Morpho, situado a aproximadamente 175 quilômetros da costa amapaense. Em nota, a empresa afirmou que o incidente foi rapidamente contido e que as linhas afetadas seriam levantadas para avaliação e reparo.
O Ibama, em resposta ao incidente, minimizou o impacto ambiental, destacando que o fluido liberado possui características biodegradáveis e baixa toxicidade, não apresentando riscos significativos ao meio ambiente.
A operação está suspensa
A perfuração foi paralisada temporariamente, e uma fonte ligada à Petrobras revelou que o reparo nas linhas danificadas pode levar de 10 a 15 dias. Apesar do vazamento, a estatal assegura que tanto a sonda quanto o poço permanecem em condições seguras de operação. “A ocorrência não representa riscos para a segurança da perfuração”, afirmou a empresa em nota.
Medidas de controle e repercussão ambiental
A Petrobras declarou que tomou todas as providências necessárias e notificou as autoridades competentes sobre o incidente. O fluido utilizado em suas operações atende às normas de toxicidade e é considerado seguro para o meio ambiente e para as comunidades locais.
É importante lembrar que a licença para exploração do primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas foi concedida ao longo de um processo conturbado, que iniciou em 2020, culminando em aprovações após recusas iniciais do corpo técnico do Ibama. A autorização foi emitida no dia 20 de outubro, e a perfuração teve início imediatamente após.
Críticas e preocupações ambientais
Localizado no bloco FZA-M-059, em águas profundas do Amapá, o poço se encontra a 500 km da foz do Rio Amazonas e a 175 km da costa brasileira, na Margem Equatorial. A exploração da Petrobras nesta área suscita preocupações entre ambientalistas, que alertam sobre a rica biodiversidade marinha que habita a região, além das significativas áreas de manguezal e comunidades indígenas que ali residem. Esses aspectos levantam questões cruciais sobre a viabilidade ambiental das atividades de perfuração.
