Atrasos nos Aeroportos e Políticas Controversas
Recentemente, passageiros enfrentaram esperas de até quatro horas em aeroportos dos Estados Unidos, marcando um recorde negativo nos 24 anos da Administração de Segurança do Transporte (TSA). Essa situação angustiante coincide com a paralisação parcial do governo americano, que se estende desde fevereiro, tornando-se a mais longa da história do país.
A falta de um orçamento aprovado pelo Congresso para a operação da TSA resultou em servidores trabalhando sem remuneração por mais de um mês, levando a uma onda de demissões. Com isso, mais de 500 funcionários deixaram seus postos. Em uma tentativa de reverter a crise, uma ordem presidencial foi emitida em 30 de março, restaurando os pagamentos dos funcionários, mas o impacto das longas filas já gerou descontentamento e receios entre turistas.
Impactos no Setor de Turismo
A situação não poderia ser mais desfavorável, especialmente com os Estados Unidos se preparando para sediar a Copa do Mundo da FIFA e comemorar o centenário da Rota 66, além de marcar os 250 anos de sua independência em 2026. Em anos normais, esses eventos seriam motivos de celebração, mas a atual combinação de má percepção pública e políticas impopulares tem afetado a decisão dos turistas.
Em 2025, a queda no turismo nos Estados Unidos foi de 5,4%, conforme dados do Barômetro Mundial do Turismo, enquanto o restante do mundo experimentou um crescimento de 4%. O número de canadenses que visitaram o país caiu 22% em relação a 2024, representando a maior diminuição de todos os mercados turísticos.
Pelo Menos uma Razão de Preocupação
A presença contínua de agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) nos aeroportos tem contribuído para essa percepção. Esses agentes foram inicialmente enviados para lidar com a escassez de funcionários da TSA, mas o secretário de Transporte dos Estados Unidos, Sean Duffy, afirmou que eles permanecerão nos aeroportos pelo tempo necessário, o que gera apreensão entre os viajantes.
Sandra Awodele, uma cidadã americana naturalizada nascida na Nigéria, expressou seus receios em relação ao ICE, afirmando que a presença dos agentes a deixou mais cautelosa. ‘Embora nunca tenha tido problemas, agora temo que possa ter, devido aos procedimentos que desconheço. É aterrorizante’, relatou.
Preocupações Sobre Novas Políticas
As mudanças rápidas nas políticas também alimentam a confusão entre viajantes internacionais. Uma proposta do governo anterior, apresentada em dezembro de 2025, exigiria que visitantes de 42 países isentos de visto fornecessem cinco anos de histórico em redes sociais para poderem entrar nos EUA. Embora ainda não implementada, muitos viajantes acreditam que essas mudanças já estão em vigor.
O advogado de direitos civis, Evan Oshan, afirma que, apesar de a lei não ter mudado, a percepção do ambiente sim. ‘Quando as autoridades se sentem à vontade para expandir suas fronteiras de autoridade, isso é uma mudança política que não requer aprovação do Congresso’, explicou.
Sentimento Anti-Americano e Implicações para o Turismo
Uma combinação de descontentamento global com as políticas do ex-presidente Trump e as longas esperas nos aeroportos estão levando turistas a repensar suas viagens aos Estados Unidos. Johan Konst, que viaja frequentemente para o país, agora é mais seletivo em relação ao calendário de suas visitas. ‘O tratamento da Europa como um oponente afeta a forma como me sinto bem-vindo’, comentou.
Anita Shreider, uma profissional de marketing alemã, planeja visitar os EUA, mas reconhece que alguns de seus amigos cancelaram suas viagens devido à insatisfação com a postura do país no cenário internacional. ‘Para eles, não era uma questão de políticas específicas, mas um mal-estar geral com a situação’, disse.
Desafios e Oportunidades para a Indústria do Turismo
Alguns operadores turísticos relatam que, ao chegarem, os visitantes internacionais se surpreendem com a experiência real. Paul Whitten, fundador da Nashville Adventures, explica: ‘As pessoas esperam dificuldades, mas encontram um sistema que, embora não seja perfeito, é navegável.’ Para ele, a preparação adequada é essencial para garantir uma experiência positiva.
Oshan acrescenta que é crucial que os viajantes conheçam os seus direitos e levem documentação que comprove a finalidade da viagem. ‘A Patrulha de Fronteira e Alfândega dos EUA possui grande autoridade na fronteira, mas os viajantes possuem proteções constitucionais em solo americano’, ressaltou.
Por fim, Erik Hansen, da Associação de Viagens dos Estados Unidos, observou que a indústria está ciente da necessidade de alinhar a percepção de risco dos turistas com a experiência real que vivenciam ao chegar, destacando que muitos aeroportos implementaram processos que aceleram a chegada internacional e ajudam a minimizar as filas.
Apesar dos desafios, a paixão de muitos turistas pelos Estados Unidos parece resistir às adversidades. Johan Konst expressou seu amor pelos EUA e pelo povo americano, ressaltando que suas preocupações se concentram nas políticas, não na hospitalidade dos cidadãos.
