O Despertar do Turismo Rural no Espírito Santo
No Espírito Santo, o turismo rural tem se mostrado uma alternativa promissora, mesmo frente às dificuldades e à falta de incentivo em algumas áreas. Empreendedores locais estão investindo em seus projetos, transformando a paisagem e a economia regional. Um exemplo notável é o do casal Ana Claudia e Moisés Cremasco, que em 2014 adquiriram um sítio em Alto Rio Novo, na região noroeste do estado. Inicialmente, o espaço era destinado ao lazer familiar, mas com o passar do tempo, a ideia de abrir as portas para o turismo tomou forma.
O Sítio Roda D’água, localizado em Córrego Água Limpa, agora conta com uma infraestrutura diversificada, incluindo um circuito de arvorismo, trilhas para todas as idades, tirolesa e muro de escalada. As adaptações não pararam por aí; a antiga casa do caseiro foi convertida em suítes, e a varanda da casa principal ganhou vida como restaurante e espaço para festas. Além disso, os tanques de peixes passaram a ser utilizados para pesca esportiva, enquanto em breve um dos quartos será transformado em um museu, exibindo peças antigas.
Ana Claudia compartilha a motivação por trás dessa transformação: “Desde o início, acreditamos no potencial do nosso espaço. Está sendo gratificante ver novas ideias surgindo a cada dia.” E, de fato, o movimento no sítio tem crescido gradativamente, atraindo cada vez mais visitantes de diversas localidades, incluindo a Grande Vitória e áreas de Minas Gerais.
Infraestrutura e Inovações em Foco
O compromisso do casal com o desenvolvimento do local é admirável. Além do circuito de arvorismo, eles investiram na construção de chalés, uma piscina e até mesmo um campo de futebol. Ana Claudia destaca que a proposta do seu sítio é única na região, o que tem atraído a atenção do público.
No plano futuro, o casal pretende reativar a produção de fubá no moinho de pedra e da cachaça Roda Mágica, que já foi produzida entre 2014 e 2018. “Nosso objetivo é que o Sítio Roda D’água seja reconhecido como um espaço de agroturismo de qualidade”, finaliza Ana.
Outro empreendimento que merece destaque é o Sítio Pionti, localizado entre Nova Venécia e Vila Pavão. Desde a década de 1970, quando o agroturismo era praticamente desconhecido, Bento Pionti estabeleceu a cachaçaria que leva seu nome. Com o passar dos anos, o local se tornou uma referência, atraindo visitantes de várias partes do Brasil e até do exterior.
Juliete Pionti, neta de Bento, hoje à frente do negócio familiar, conta que os visitantes sempre expressavam interesse em aprender sobre o processo de fabricação da cachaça, o que levou à criação de visitas guiadas. A família investiu em embelezar o espaço, plantando árvores e criando um ambiente agradável para os visitantes, que agora podem degustar a cachaça em meio à natureza.
Desafios e Oportunidades no Setor
Apesar do sucesso, Juliete ressalta a falta de incentivo em Nova Venécia e em outras cidades vizinhas para fomentar mais investimentos na área. “Precisamos de apoio para atrair ainda mais turistas”, afirma.
Recentemente, o Ministério do Turismo anunciou uma portaria que visa facilitar o cadastro de produtores rurais e agricultores no Cadastur, reconhecendo a importância do turismo nas propriedades rurais. Para Victor Coelho, secretário de Estado do Turismo do Espírito Santo, essa é uma oportunidade valiosa para impulsionar o agroturismo no estado. “O Cadastur formaliza e dá visibilidade aos empreendimentos rurais, garantindo segurança jurídica e promovendo o agroturismo capixaba como referência nacional”, destaca.
Oturismo Rural em Alta
A pesquisa “Demanda Turismo Rural”, realizada pelo Ministério do Turismo em parceria com a Sprint Dados, revelou que o turismo rural é uma tendência crescente nas viagens. Os dados de junho de 2023 mostram que 74% dos turistas buscam destinos no interior em busca de contato com a natureza e tranquilidade. Além disso, 73% são atraídos pela autenticidade da comida caseira, e 60% optam por trilhas entre as mais de 40 atividades disponíveis no meio rural.
Na prática, o turismo rural integra a produção agrícola, cultura, gastronomia e modos de vida do campo, proporcionando experiências únicas que geram renda e ajudam a fortalecer a identidade das comunidades locais. O agroturismo, por sua vez, permite que os visitantes participem ativamente das atividades, como colheita e preparo de alimentos, vivenciando a rotina agrícola de maneira autêntica.
