Mudança traz esperança para pacientes com diabetes no Brasil
O Ministério da Saúde deu início a uma importante transição no tratamento do diabetes no Sistema Único de Saúde (SUS). A partir de agora, a insulina humana (NPH) será substituída pela insulina análoga de ação prolongada, conhecida como glargina. Esta nova opção terapêutica possui uma duração de até 24 horas e sua administração é feita apenas uma vez ao dia, o que representa uma significativa melhoria na qualidade de vida dos pacientes. Na rede privada, o custo desse tratamento pode chegar a R$ 250 por dois meses.
A mudança teve seu início na última sexta-feira, 6 de outubro, e será realizada de maneira gradual. Um projeto piloto está sendo implementado em estados como Amapá, Paraná, Paraíba e no Distrito Federal, beneficiando crianças e adolescentes de até 17 anos diagnosticados com diabetes tipo 1, além de idosos com 80 anos ou mais que tenham diabetes tipo 1 ou 2. A expectativa é que mais de 50 mil pessoas sejam atendidas nessa fase inicial.
De acordo com o Ministério da Saúde, a escolha das regiões para o projeto piloto levou em consideração a representatividade regional e a capacidade de realização. Para garantir a eficácia da nova abordagem, estão sendo realizados treinamentos nas localidades selecionadas, voltados para capacitar os profissionais de saúde da Atenção Primária no uso correto das canetas aplicadoras e na administração adequada do medicamento.
Em um futuro próximo, a pasta planeja avaliar os resultados obtidos nesta fase inicial para definir um cronograma de expansão do uso da insulina glargina para outros estados brasileiros.
Produção Nacional de Insulina
A transição também é acompanhada de uma iniciativa de produção nacional. Uma parceria entre o laboratório público Bio-Manguinhos, vinculado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a empresa Biomm e a chinesa Gan & Lee visa transferir a tecnologia para a produção da insulina glargina no Brasil. A previsão é que, até 2025, mais de 6 milhões de unidades do medicamento sejam produzidas, com um investimento total de R$ 131 milhões. A expectativa é que, até o final de 2026, a capacidade de produção chegue a 36 milhões de doses.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a relevância dessa conquista ao afirmar: “Depois de duas décadas, o Brasil voltou a produzir insulina no País. Isso traz garantia e segurança para os pacientes.” Ele ressaltou ainda que a ampliação da oferta de tratamentos para diabetes no SUS serve como um exemplo concreto da importância do fortalecimento do complexo industrial brasileiro.
No SUS, além da nova insulina análoga de ação prolongada, são disponibilizados gratuitamente outros três tipos de insulina: as humanas NPH e regular, além da análoga de ação rápida. O sistema de saúde também oferece medicamentos orais para o tratamento do diabetes, ampliando as opções disponíveis para os pacientes.
