Oficinas promovem diálogo e ações para a Cultura Viva na Bahia
No último sábado (28), o Teatro e Centro de Convenções de Feira de Santana recebeu a III Teia Estadual dos Pontos de Cultura da Bahia, um evento focado em ampliar as ferramentas de atuação cultural nos territórios baianos. Ao longo do primeiro dia, foram realizadas sete oficinas e diálogos formativos, com o intuito de contribuir para a política Cultura Viva no estado. Promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), o encontro reuniu representantes culturais de mais de 100 municípios e teve como tema central “Vozes e territórios pela implementação da Lei Cultura Viva Bahia e pela Justiça Climática”.
A diretora Thaís Pimenta, que atua na Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura (Sudecult), comentou que as formativas foram elaboradas com base nas demandas dos próprios Pontos de Cultura, abordando temas como gestão, bibliotecas comunitárias, memória, economia solidária e justiça climática. “Os conteúdos estavam alinhados a eixos temáticos que serão explorados ao longo do Fórum Estadual dos Pontos de Cultura”, destacou.
“Essas oficinas são verdadeiros espaços formativos dentro do processo de reestruturação da rede Cultura Viva. A programação foi desenvolvida para que os participantes possam sair da Teia equipados com mais ferramentas e recursos para potencializar suas atividades em todos os 27 territórios da Bahia”, afirmou Pimenta.
Uma das oficinas, intitulada “Do coletivo ao CNPJ: formalização, gestão e captação de recursos para Pontos de Cultura”, atraiu agentes culturais em busca de fortalecer suas organizações administrativas e desenvolver projetos. Wilma Rodrigues, que representa o Grupo de Capoeira Lendário de Palmares, expressou sua satisfação após participar da formação: “Embora o grupo já seja certificado, recentemente assumi a coordenação pedagógica e queria entender melhor sobre como elaborar projetos e buscar documentação. O que aprendi aqui foi crucial para ampliar minha visão sobre o tema”.
Na Oficina “Patrimonialização e Salvaguarda”, Mestra Nzinga, representando a Associação Cultural Mestre Edmilton, de Conceição da Feira, enfatizou a relevância de discutir estratégias para a preservação das manifestações culturais locais. Com 40 anos de experiência na capoeira e certificação como Ponto de Cultura desde 2014, ela destacou o impacto do trabalho em diversas faixas etárias e comunidades rurais, oferecendo atividades que vão desde capoeira até samba de roda e inclusão digital.
“Nós já trabalhamos com salvaguarda e entendemos a necessidade de fortalecer a continuidade das políticas culturais. Com a partida de muitos mestres antigos, temos que encontrar formas de preservar essa cultura. Aqui, percebemos que, independentemente do tamanho da cidade, as dificuldades enfrentadas são semelhantes. Essa troca entre nós na Teia nos fortalece e nos dá mais energia para expandir nosso trabalho em nossos municípios”, ressaltou Mestra Nzinga.
A programação da III Teia também incluiu diálogos e oficinas, como “Filmes na Tela: uma conversa sobre exibição e difusão”; “Como organizar e dinamizar uma Biblioteca Comunitária”; “Cultura Viva e Justiça Climática: Agroecologia e Economia Solidária nos Territórios”; “Cultura Viva Educa: métodos e práticas dos Pontos de Cultura na atuação com escolas”; e “Noções básicas de organização, preservação e difusão em espaços de memória”. Em suma, o evento foi um marco para a cultura na Bahia, fortalecendo conexões e promovendo a Cultura Viva.
