Transição para Insulina Glargina
O Ministério da Saúde anunciou o início da transição do uso da insulina humana (NPH) para a insulina análoga de ação prolongada, conhecida como glargina, no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa mudança representa um marco significativo no tratamento de diabetes no Brasil, oferecendo uma opção mais moderna e eficiente para os pacientes.
O projeto-piloto começará em quatro estados: Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal. Inicialmente, crianças e adolescentes de até 17 anos que têm diabetes tipo 1 serão contemplados, além de idosos a partir de 80 anos, diagnosticados com diabetes tipo 1 ou 2. A estimativa é de que mais de 50 mil brasileiros se beneficiem nesta fase inicial.
Em nota oficial, o Ministério classificou essa iniciativa como um “avanço histórico”. Segundo a pasta, a insulina glargina, com uma duração de ação de até 24 horas, facilitará a rotina dos pacientes, exigindo apenas uma aplicação diária. Essa mudança certamente traz alívio para muitas famílias que enfrentam os desafios do diabetes.
A transição da insulina humana para a de ação prolongada será realizada de maneira gradual, levando em conta a avaliação individual de cada paciente. Para garantir um processo eficaz, a pasta já está promovendo treinamentos para os profissionais de saúde que atuam na atenção primária nos quatro estados selecionados.
Avaliação e Expansão do Projeto
Após os primeiros meses de implementação, uma avaliação dos resultados será realizada, possibilitando a construção de um cronograma para expandir o projeto a outros estados do país. O tratamento com insulina glargina na rede privada pode ter um custo de até R$ 250 para um período de dois meses, o que reforça a importância da inclusão desse medicamento no SUS.
De acordo com o Ministério da Saúde, a ampliação da oferta da insulina glargina está em linha com as melhores práticas internacionais de tratamento e administração da diabetes. Essa mudança não se trata apenas de uma nova medicação, mas de um passo crucial em direção à autonomia na produção do medicamento, especialmente em um cenário de escassez global.
Parcerias e Produção Nacional
A expansão do uso da insulina glargina no SUS é resultado de uma parceria para o desenvolvimento produtivo (PDP) entre o laboratório Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a empresa brasileira de biotecnologia Biomm e a companhia chinesa Gan & Lee. Por meio dessa colaboração, a transferência de tecnologia para o Brasil está em andamento.
Até 2025, a parceria já entregou mais de 6 milhões de unidades do medicamento, com um investimento que alcança R$ 131 milhões. A expectativa é que, até o final de 2026, a produção alcance a marca de 36 milhões de tubetes, garantindo assim um abastecimento significativo para o SUS.
“A autonomia na produção de insulina é fundamental diante de um cenário global de escassez desse insumo”, salientou a nota do Ministério. A iniciativa não só melhora o acesso ao tratamento, mas também fortalece a produção local e a segurança do abastecimento, o que é vital para o controle do diabetes no país.
