Flagrante da PF Levanta Suspeitas de Lavagem de Dinheiro
A Polícia Federal (PF) realizou uma apreensão significativa ao interceptar o empresário Breno Chaves Pinto, suplente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), saindo de uma agência bancária com a quantia de R$ 350 mil em dinheiro. O incidente, que ocorreu recentemente, está sendo investigado no âmbito de uma apuração sobre fraudes nas licitações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Amapá, conforme detalhado em um relatório exclusivo obtido pelo O Globo.
O monitoramento de Chaves Pinto foi intensificado pela PF após um alerta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou saques em valores suspeitos. As retiradas de dinheiro, segundo as investigações, eram frequentemente realizadas logo após o recebimento de verbas relacionadas a contratos públicos, levantando indícios de lavagem de capitais.
Os investigadores estão explorando a possibilidade de que Chaves Pinto esteja à frente de uma organização criminosa que estaria manipulando e simulando concorrência nas licitações do Dnit no estado. O inquérito indica que ele exercia uma influência significativa sobre o órgão, aproveitando-se de sua posição como suplente de senador para facilitar práticas ilícitas.
Investigação Revela Saques Suspeitos em Diversas Agências
Os dados financeiros coletados pela PF mostram que o empresário realizou saques em espécie que somam mais de R$ 3 milhões, sempre em datas próximas a contratos públicos. Isso levanta a suspeita de que os valores estariam sendo utilizados para ocultar a origem dos recursos. “As investigações financeiras demonstraram vultosos e sucessivos saques em espécie, que ultrapassam R$ 3 milhões, das contas de suas empresas”, explica o relatório da polícia.
Ao ser questionado sobre os R$ 350 mil, Chaves Pinto defendeu-se afirmando que os saques eram destinados a pagamentos a funcionários e prestadores de serviços de sua empresa. Ele enfatizou que o processo está sob segredo de Justiça e que sua defesa concentra-se nos autos do processo.
O senador Davi Alcolumbre, por sua vez, negou qualquer envolvimento com as atividades empresariais de seu suplente, distanciando-se das acusações.
Monitoramento de Saques e Veículo de Propriedade dos Primos
Durante as investigações, a PF observou que Chaves Pinto estava utilizando um veículo registrado em nome de uma empresa de seus primos, que são sócios da Lojas 2A Ltda. Esses primos, identificados como Alberto Brasil Alcolumbre e André Luiz Brasil Alcolumbre, são familiares diretos do presidente do Senado. O carro, uma SUV branca, foi usado por Chaves Pinto no momento em que ele foi abordado pela PF, gerando mais perguntas sobre a natureza do relacionamento entre os envolvidos.
Documentos obtidos indicam que o veículo foi oficialmente vendido a Chaves Pinto em julho de 2025, embora a transação tenha sido comunicada apenas após a operação da PF, levantando suspeitas sobre a legalidade do acordo.
Desvios na Licitação e Lavagem de Dinheiro
A investigação, que teve seu início a partir de denúncias sobre favorecimento em licitações do Dnit, alerta para a possibilidade de que o grupo esteja envolvido em uma organização criminosa com o intuito de fraudar o processo licitatório. A PF encontrou comunicações entre o superintendente do Dnit e representantes de empresas ligadas a Chaves Pinto antes da publicação dos editais das licitações, evidenciando a manipulação no processo.
Os contratos em questão somam R$ 60,2 milhões, envolvendo obras de manutenção e recuperação de trechos da BR-156, que é uma rodovia vital para o estado do Amapá. A precariedade nas condições da estrada tem gerado impactos diretos na acessibilidade e na qualidade de vida da população local.
Precedentes e Contexto Político
Vale lembrar que este não é o primeiro episódio envolvendo Breno Chaves Pinto. Em dezembro de 2022, ele também foi alvo de uma operação da PF, onde cerca de R$ 800 mil foram apreendidos durante investigações relacionadas a fraudes em obras na região. As apurações estão inseridas em um contexto mais amplo de tensão política em Brasília, especialmente com Alcolumbre expressando insatisfação em relação às investigações que afetam pessoas próximas a ele.
Ao longo das apurações, a PF tem enfatizado que todas as suas ações são pautadas pela legalidade e pela busca da verdade, enquanto o Dnit tem se comprometido a colaborar com as investigações, repudiando qualquer indício de corrupção ou prática fraudulenta.
