Desempenho Positivo da Balança Comercial
A balança comercial do Brasil registrou um superávit de US$ 4,34 bilhões em janeiro, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Esse saldo representou um crescimento de 85,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior, impulsionado pela queda mais acentuada das importações em comparação às exportações.
Embora o resultado seja expressivo, ele ficou aquém da expectativa de economistas consultados pela Reuters, que projetavam um superávit de US$ 4,9 bilhões. Apesar disso, os dados sinalizam um início de ano repleto de ajustes no fluxo comercial, evidenciando mudanças significativas na composição setorial e geográfica das trocas externas.
Dinâmica das Exportações
No que se refere às exportações, o total alcançou US$ 25,15 bilhões em janeiro, o que representa uma queda de 1% em relação ao ano anterior. Essa redução foi especialmente influenciada pelo desempenho moroso do setor industrial, enquanto o agronegócio brasileiro conseguiu evitar uma retração mais acentuada no saldo comercial.
O setor agropecuário despontou como o único a registrar crescimento, com um aumento de 2,1%, favorecido por um incremento nas exportações de soja e milho. Esse desempenho reforça a importância do agronegócio como pilar das vendas externas do Brasil no início de 2026.
Em contrapartida, a indústria extrativa viu uma diminuição de 3,4%, afetada pela queda nos volumes de petróleo e minério de ferro. A indústria de transformação, por sua vez, apresentou um recuo de 0,5%, o que indica um cenário ainda restrito para os bens manufaturados no comércio internacional.
Redesenho nos Parceiros Comerciais
Os dados também revelam uma mudança significativa na destinação das exportações brasileiras. As vendas para os Estados Unidos caíram 25,5% em comparação a janeiro do ano passado, resultando em uma diminuição da participação do país norte-americano no total exportado, que passou de 12,7% para 9,5%.
Em contrapartida, a China ampliou sua presença de forma contundente. A fatia do país asiático nas exportações brasileiras cresceu de 21,7% para 25,7%, consolidando sua posição como o principal parceiro comercial do Brasil. Essa alteração no equilíbrio do comércio exterior brasileiro pode trazer tanto riscos quanto oportunidades, ao concentrar mercados em menos parceiros.
Análise das Importações
Do lado das importações, o total alcançou US$ 20,81 bilhões, apresentando uma queda de 9,8% em relação ao ano anterior. Essa retração foi impulsionada pela diminuição nas compras de bens intermediários e combustíveis, enquanto houve um aumento limitado em bens de consumo e de capital.
Reflexão Macroeconômica
O superávit da balança comercial brasileira em janeiro reflete mais um ajuste nas importações do que um crescimento robusto nas exportações. Especialistas do mercado interpretam esse padrão como um sinal de cautela nas atividades econômicas internas e uma crescente dependência do setor primário para sustentar o saldo externo.
Adicionalmente, a maior concentração das vendas na China, aliada à diminuição de espaço para os Estados Unidos, levanta discussões sobre a necessidade de diversificação de mercados e a exposição a ciclos econômicos específicos globalmente. A evolução do comércio ao longo de 2026 estará atrelada à demanda internacional e ao desempenho da indústria nacional.
