A Revolução Tecnológica no Agronegócio
A Solinftec, conhecida pela sua atuação no agronegócio, começou sua jornada focando no monitoramento de equipamentos, oferecendo serviços de telemetria que visavam acompanhar o desempenho de máquinas no setor sucroenergético. Com o tempo, a empresa ampliou seu escopo, criando sistemas sofisticados para coleta e cruzamento de informações geradas no campo. O objetivo é claro: transformar dados em inteligência para a gestão agrícola. “Nosso foco é apoiar a tomada de decisão no momento certo”, afirma Denis Arroyo Alves, vice-presidente global da Solinftec.
Na prática, isso se traduz em estratégias que visam agir com precisão, otimizando recursos e minimizando riscos e perdas. Atualmente, a empresa oferece um portfólio diversificado com mais de 25 soluções adaptadas para diferentes culturas, entre elas cana-de-açúcar, grãos, fibras, citros, café e florestas. Essas soluções são suportadas por uma plataforma de inteligência artificial desenvolvida internamente, conhecida como Alice IA.
Inovações com Robôs Agrícolas
Outro grande avanço da Solinftec é o Solix Ag Robotics, um robô movido a energia solar que utiliza inteligência artificial para identificar plantas daninhas e realizar aplicações direcionadas de herbicidas. No combate a insetos-praga, o robô utiliza luzes com comprimentos de onda específicos para atraí-los durante a noite, eliminando-os com eletrochoques. Cada unidade do robô tem a capacidade de cobrir uma área de aproximadamente 200 hectares.
Na safra 2023/24, o Solix conseguiu reduzir o uso de herbicidas em até 65% na cana-de-açúcar e mais de 90% na soja, resultando em um aumento de produtividade de cerca de 10 sacas por hectare. No milho safrinha, o ganho foi de 9 sacas por hectare. Atualmente, já são cerca de 150 unidades do robô em operação no Brasil e nos Estados Unidos.
Presença e Impacto Global
A atuação da Solinftec não se restringe ao Brasil; a empresa possui operações também nos Estados Unidos, Canadá, Colômbia e China. Com suas tecnologias integradas em mais de 60 mil máquinas agrícolas, a companhia monitora mais de 13 milhões de hectares e mantém uma das maiores redes de estações meteorológicas, formando um banco de dados robusto e independente dentro do setor.
Para alcançar esse nível de desenvolvimento, Alves destaca que a agtech enfrentou desafios que exigiram a criação de projetos consistentes e uma estrutura sólida de inovação, além da busca por investimentos estratégicos. Entre os cerca de 800 colaboradores da Solinftec, quase metade atua nas áreas de pesquisa e desenvolvimento (P&D). A empresa possui um braço agronômico e uma fazenda experimental que permite a validação e o aprimoramento de produtos e serviços, mantendo um canal direto com os produtores para identificar as suas necessidades.
Desafios e Oportunidades no Setor
Inovar no agronegócio, segundo Alves, requer não apenas capacidade técnica, mas também recursos financeiros significativos. “O desenvolvimento de tecnologia é um processo demorado e caro. Se ficar restrito ao laboratório por muito tempo, o negócio pode não prosperar”, alerta. O diferencial da Solinftec reside na execução eficiente e nos resultados concretos que entrega.
Essa estratégia de inovação também se reflete na capacidade de captação de recursos da empresa, que superou R$ 1,5 bilhão em rodadas de investimentos e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) entre 2016 e 2025. A mais recente rodada, a série D, totalizou R$ 300 milhões e contou com a participação do fundo YvY Capital, que foca na transição para uma economia verde, além da gestora Rise, que investe em soluções para desafios climáticos.
Resultados Financeiros Positivos
Os investimentos têm sido direcionados principalmente para o desenvolvimento de uma nova linha de robôs. “A combinação de inteligência e robótica é um conceito comprovado, e estamos prontos para ampliar sua aplicação”, destaca Alves. A última emissão de CRAs resultou em R$ 190 milhões, impulsionando ainda mais os projetos inovadores da empresa.
Os resultados financeiros também falam por si: a Solinftec alcançou o breakeven em 2023, um marco importante para a empresa. Em 2025, a receita recorrente anualizada (ARR) cresceu 15%, chegando a R$ 430 milhões, após um aumento de 20% no ano anterior. Alves enfatiza que a empresa tem se esforçado para aumentar a geração de caixa, um aspecto que antes representava um desafio significativo, mas que agora, após o breakeven, se tornou um forte pilar da operação, com um EBITDA positivo que superou R$ 100 milhões no último ano.
