A Filosofia de Sócrates e sua Relevância nas Decisões da Democracia Brasileira
O filósofo grego Sócrates, conhecido por suas profundas reflexões sobre a democracia, alertava que este sistema político, ao tratar todas as opiniões como iguais, poderia sufocar o pensamento crítico. Em suas considerações, ele não defendia que as pessoas fossem ignorantes, mas enfatizava que a falta de informação poderia levar a decisões prejudiciais à coletividade. A democracia, segundo ele, deve valorizar o conhecimento e a competência, algo que o atual cenário político brasileiro parece ignorar.
Ao afirmar que um eleitor desinformado não deveria ter o mesmo poder que um estadista instruído, Sócrates levantava um ponto crucial: o risco de que a popularidade prevalecesse sobre a capacidade. Ele temia que as massas, muitas vezes, fossem atraídas por discursos que as fizessem sentir-se bem, em vez de buscarem o que realmente beneficiaria a nação. Com isso, ele questionava a essência da democracia, que, ao ignorar informações qualificadas, poderia cair nas armadilhas do populismo.
Um exemplo claro dessa crítica se manifesta no atual governo, onde decisões muitas vezes são tomadas com base em apelos emocionais e não em fundamentos sólidos. O filósofo, em tom provocativo, perguntava aos seus contemporâneos: “Se você está doente, você vota no tratamento ou procura um médico?” Essa ironia parece ressoar intensamente no contexto atual, onde decisões críticas são frequentemente tomadas sem a devida assessoria técnica ou conhecimento especializado.
Refletindo sobre a história, podemos imaginar que a condenação de Sócrates à cicuta teria origens em sua disposição em desafiar a sabedoria popular. O que teria levado a elite de sua época a ver nele uma ameaça? É como se, em um momento de profunda crise como o que vivemos hoje no Brasil, ele fosse transportado para nosso tempo, tornando-se uma voz crítica sobre o que se passa em nossa política.
Recentemente, após uma longa viagem, testemunhei a beleza de Roraima, um estado marcado pela natureza exuberante, mas que também enfrenta as consequências de uma representação política frágil. Durante minha jornada, percebi como a política pode ser manipulada por interesses externos, desconsiderando a realidade local e seus desafios. Assim como Sócrates, que viveu sob a tirania de uma democracia que não respeitava o saber, muitos brasileiros se sentem sufocados por decisões que não refletem suas necessidades reais.
Infelizmente, a política atual parece um teatro repleto de escândalos diários, que vão desde crimes até escândalos de corrupção. A justiça, em muitos casos, parece mais preocupada em agradar do que em servir à verdade. Qualquer semelhança com a Inquisição Espanhola é mera coincidência, mas a baixa qualidade das decisões judiciais é alarmante. O que vemos atualmente é um governo que, em busca de apoio popular, diminui as exigências para a posse de armas, colocando vidas em risco. Como se isso não bastasse, profissionais despreparados recebem a autorização para prescrever medicamentos, uma situação que parece beirar a irresponsabilidade.
Como alguém que sempre louvou o potencial do nosso país e que contribuiu para a realização de oportunidades para muitos, é frustrante observar essa degradação. É como se os ensinamentos de Sócrates estivessem sendo ignorados, especialmente quando se trata de formar uma opinião crítica e embasada. A mensagem é clara: decisões devem ser baseadas em conhecimento e ética, não em popularidade ou promessas vazias.
O passado e o presente se cruzam em nossas reflexões sobre a política. Ao contrário de Sócrates, que não teve a chance de ver suas ideias reverberarem no futuro, nós, brasileiros, temos a oportunidade de mudar a narrativa. Se quisermos um futuro melhor, precisamos nos lembrar que a democracia não se resume a votar; ela exige participação consciente, informada e crítica. Só assim, talvez, possamos honrar a memória do filósofo e construir um país que respeite tanto a razão quanto a necessidade de um olhar atento sobre a política.
