Pressões pela Prisão Domiciliar e Questões de Saúde
A queda de Jair Bolsonaro na cela da Polícia Federal, ocorrida na madrugada de terça-feira, 6 de março, acentuou a mudança na comunicação da família em relação ao ex-presidente. Mesmo em meio às disputas jurídicas e políticas, as atenções estão sendo redirecionadas para a saúde de Bolsonaro, com a família defendendo que sua permanência na prisão representa um risco à sua vida.
A partir do incidente, a esposa Michelle e os filhos do ex-presidente intensificaram suas aparições nas redes sociais, destacando a condição delicada de saúde de Bolsonaro e argumentando que ele necessita de cuidados constantes. Durante a terça-feira, a família utilizou suas plataformas digitais para compartilhar relatos de preocupação, exigências por providências e descrições detalhadas dos desafios enfrentados para conseguir autorização para que Bolsonaro fosse transferido ao hospital. Somente na quarta-feira, 7 de março, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, liberou a realização dos exames médicos necessários.
Na noite de terça, em uma coletiva de imprensa em frente à Superintendência da Polícia Federal, Michelle expressou seu descontentamento de forma contundente. Ela denunciou que o tratamento dado ao marido era de “negligência”, descrevendo a situação como uma forma de “tortura” e clamou que “a saúde e a vida” de Bolsonaro estavam sob a responsabilidade do Procurador-Geral da República (PGR), criticando a lentidão na autorização dos exames após o acidente.
A ex-primeira-dama destacou que Bolsonaro não conseguia se recordar de quanto tempo havia ficado desacordado e que a Polícia Federal não tinha autonomia para levá-lo ao hospital sem uma ordem judicial. Ela também mencionou episódios anteriores de apneia que o ex-presidente havia apresentado em casa e comentou que a assistência médica disponível na custódia “não é rápida” e não atende ao que ele realmente necessita.
Carlos Bolsonaro, um dos filhos, fez um relato público meticuloso, apresentando uma linha do tempo dos eventos do dia e descrevendo o estado de saúde do pai, que apresentava hematomas no rosto, sangramento no pé e sinais de confusão mental. Os irmãos Jair Renan, Eduardo e Flávio também compartilharam as informações, sendo que Flávio chegou a afirmar: “Se algo acontecer com o meu pai hoje, o culpado tem nome e sobrenome”.
De acordo com a Polícia Federal, a avaliação médica inicial indicou que Bolsonaro estava consciente e orientado, sem sinais de déficit neurológico, embora apresentasse escoriações e leve desequilíbrio ao ficar em pé. Apesar desse diagnóstico considerado de menor gravidade, a condição de saúde pré-existente do ex-presidente, que inclui um histórico recente de cirurgias, uso de CPAP e medicamentos que impactam o sistema nervoso central, influenciou a decisão do ministro Moraes.
Na terça-feira, ao rejeitar o primeiro pedido da defesa visando a transferência ao hospital, Moraes argumentou que o laudo médico inicial não demonstrava urgência. A autorização para os exames foi concedida na quarta-feira, após a apresentação de um parecer médico do especialista Brasil Ramos Caiado, que indicou um quadro potencial de traumatismo craniano leve, levantando a possibilidade de síncope noturna ou crise convulsiva, que precisa ser investigada. Os exames solicitados incluem tomografia, ressonância magnética e eletroencefalograma.
Em sua autorização, o ministro Moraes determinou que a transferência fosse feita de maneira discreta, utilizando as entradas das garagens do hospital e assegurando vigilância durante os exames, bem como no retorno à custódia. Além disso, Moraes ressaltou que Bolsonaro já tem atendimento médico permanente no local, conforme decisão anterior.
