O Conflito entre Castro e Paes
Na manhã do dia 11 de março, um episódio tenso marcou a política do Rio de Janeiro. O vereador Salvino Oliveira, do PSD, foi preso pela Polícia Civil em meio a uma investigação que rapidamente se tornou alvo de desinformação. O governador Cláudio Castro, do PL, foi mal informado e acreditou que a prisão estava ligada a supostas conversas do parlamentar com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca. Movido por essa informação, Castro publicou um vídeo em suas redes sociais intitulando Salvino como “o braço-direito do Comando Vermelho na prefeitura”. O vídeo, que foi rapidamente compartilhado, chamou a atenção de várias autoridades, inclusive do pré-candidato a governador Douglas Ruas e do chefe da Polícia Civil, Felipe Curi.
No entanto, após algumas horas, Castro e Curi foram informados de que o conteúdo das conversas envolvendo Salvino não era tão grave quanto parecia. A menção ao vereador estava apenas ligada a um diálogo entre criminosos da Gardênia Azul, em Jacarepaguá. Três dias após a prisão, o desembargador Marcus Henrique Basílio determinou a soltura de Salvino, alegando que as provas apresentadas eram insuficientes. A partir desse revés, passos foram dados dentro do governo do Rio para tentar justificar a investigação em andamento, focando nas movimentações financeiras do vereador e de seus associados.
A Crescente Tensão Política
Esses eventos foram apenas um capítulo da escalada de hostilidades entre os grupos políticos de Castro e Paes, que aumentaram desde dezembro. Naquela semana, o PSD protocolou um pedido de afastamento de Castro no Superior Tribunal de Justiça (STJ), alegando que as investigações da Polícia Civil estavam sendo politizadas. O que havia começado como uma investigação sobre o traficante Márcio Gama dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, se transformou em um foco de atenção sobre aliados próximos a Paes. A situação se complica ainda mais quando se considera que o delegado Pedro Cassundé investiga Flávio Rodrigues Vaz da Silva, um ex-assessor de Salvino e associado de Ronnie Aguiar, considerado um dos principais colaboradores de Paes desde a década de 1990.
Flávio, que trabalhou na prefeitura por mais de um ano, esteve ligado à Secretaria de Governo e Integridade Pública até dezembro de 2022. A parceria com Ronnie Aguiar, que também já foi presidente da RioTur, gerou uma série de questionamentos. Aguiar afirmou ter encerrado a sociedade em 2019, mas a baixa na Receita Federal só veio à tona em 2022 devido a dívidas trabalhistas.
Investigações e Recados entre os Líderes
A Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e Lavagem de Dinheiro descobriu que uma empresa registrada em nome da esposa de Flávio movimentou cerca de R$ 35 milhões em um período de dois anos. Esse valor contrasta fortemente com o faturamento declarado de apenas R$ 2 milhões. Além disso, foram identificados vários saques de valores consideráveis em um curto espaço de tempo, levantando ainda mais suspeitas sobre a integridade das movimentações financeiras dos envolvidos.
Após a operação que resultou na prisão de Salvino, começaram a surgir mensagens de retaliação entre Paes e Castro, mediadas por terceiros. Paes exigiu publicamente que o governador se desculpasse pela postagem que associou a prefeitura ao crime organizado. A negativa de Castro em atender a esse pedido acirrou ainda mais os ânimos. O governador se recusou também a remover o vídeo do Instagram, que já acumulava milhões de visualizações.
Um Passado de Alianças e o Futuro Incerteza
O clima entre Paes e Castro, que antes era marcado por um pacto de não-agressão, mudou drasticamente. Em encontros passados, ambos tentaram construir uma aliança voltada para as eleições deste ano, onde cada um ajudaria o outro nas disputas por governadoria e senado. Entretanto, essa aproximação foi aparentemente desfeita, e agora os dois se atacam abertamente. Na semana passada, Paes chegou a declarar que “uma máfia tomou conta do Palácio Guanabara”. Em resposta, Castro insinuou que organizações criminosas se infiltrarão na prefeitura há décadas.
À medida que se aproximam as eleições, o futuro da relação entre os dois líderes está em um ponto crítico. Há diferentes vozes em seus meios: algumas pedem o fim da disputa pública, enquanto outras incentivam ainda mais o confronto. A coleta de dossiês e informações que possam prejudicar o adversário está se intensificando, tornando o cenário político mais volátil do que nunca. O que se desenha é um embate político que poderá ter repercussões significativas para ambos os lados.
