O Fim de uma Era de Comunicação
O Amapá está se despedindo dos orelhões, com a retirada de 79 telefones públicos espalhados pelos 16 municípios do estado, conforme informações da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Destes, 44 ainda estão em funcionamento, enquanto 35 estão fora de uso e inativos.
A retirada dos aparelhos será realizada ao longo deste mês, marcando uma nova fase no sistema de telecomunicações do país. O processo foi iniciado devido ao término das concessões do serviço de telefonia fixa das cinco operadoras responsáveis pela manutenção desses equipamentos, que ocorreu no ano passado.
As operadoras que não têm mais a obrigação legal de manter a infraestrutura dos telefones públicos incluem Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica. Esse desmonte representa o fim de uma era em que os orelhões desempenhavam um papel crucial na comunicação brasileira, especialmente entre as décadas de 1970 e 2000.
Em Macapá, por exemplo, existem 23 orelhões, enquanto municípios como Itaubal e Mazagão contam com 7 e 6, respectivamente. O gráfico abaixo detalha a quantidade de orelhões por município:
- Macapá: 23
- Itaubal: 7
- Mazagão: 6
- Laranjal do Jari: 5
- Oiapoque: 5
- Pedra Branca do Amapari: 5
- Calçoene: 4
- Cutias: 3
- Porto Grande: 3
- Pracuúba: 3
- Vitória do Jari: 2
- Amapá: 1
- Serra do Navio: 1
- Tartarugalzinho: 1
- Santana: 0
- Ferreira Gomes: 0
A retirada dos orelhões não será executada de forma imediata em todos os municípios. As operações para remover as carcaças e os equipamentos desativados terão início em janeiro. Esses telefones devem continuar disponíveis em locais onde não há cobertura de celular, com previsão de permanência até 2028.
Memórias e Transformações
Os telefones públicos foram fundamentais para a comunicação em situações de urgência, encontros e compartilhar histórias marcantes ao longo das décadas. Muitos brasileiros se lembram da emoção de ouvir o clássico “chamada a cobrar” e da expectativa até a conexão da chamada.
Recentemente, em Macapá, o projeto “Ecoarte, orelhões ecológicos” deu um novo significado a esses equipamentos antigos. Transformados em lixeiras comunitárias, os orelhões foram pintados por artistas locais, incorporando elementos da rica identidade amazônica e promovendo a valorização da cultura regional.
Com essa iniciativa, a cidade busca não apenas reduzir o descarte inadequado de resíduos, mas também reimaginar o uso desses equipamentos de forma criativa e sustentável.
