Renúncia em Meio a Investigações
BRASÍLIA – Apenas uma semana após a execução de um mandado de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF), Jocildo Lemos, o diretor-presidente da Amapá Previdência (Amprev), anunciou sua renúncia nesta quarta-feira (11/2). O gestor é um dos alvos de uma investigação que examina possíveis irregularidades relacionadas ao investimento de R$ 400 milhões do Regime de Previdência Social do Amapá no Banco Master.
A decisão de Jocildo Lemos e suas justificativas foram pontuadas em uma declaração onde ele destacou que sua renúncia visa permitir que as investigações ocorram com total autonomia. “Faço isso para que a Justiça atue com total independência e para que fique plenamente comprovado que todos os procedimentos adotados sob minha gestão observaram rigorosamente a legalidade”, disse ele. O diretor também enfatizou a importância de esclarecer os fatos e responsabilizar quem realmente errou.
Jocildo, que ocupava o cargo de diretor-presidente da Amprev desde janeiro de 2023, fez questão de defender sua gestão. Ele ressaltou que, sob sua liderança, o patrimônio da previdência estadual cresceu 41% entre 2023 e 2025, assegurando o pagamento de aposentadorias e pensões até 2059. “Reafirmo minha plena confiança na Justiça e na força dos fatos”, concluiu.
Operação “Zona Cinzenta” e suas Implicações
Além de sua renúncia, Jocildo continua atuando como coordenador de Investimentos da Amprev e, até o momento, as investigações estão em andamento. Ele foi alvo do mandado de busca e apreensão no contexto da operação “Zona Cinzenta”, que é um desdobramento da operação “Compliance Zero”. Esta última apura suspeitas de gestão temerária e fraudulenta no investimento de R$ 400 milhões da autarquia em um título conhecido como letras financeiras do Banco Master.
Os desdobramentos dessa operação têm gerado grande interesse tanto na esfera política quanto na opinião pública, especialmente por envolver figuras proeminentes do entorno político do Amapá. Jocildo Lemos, ex-secretário de Finanças de Macapá (AP) e ex-membro do Conselho de Administração do Instituto de Previdência de Macapá (Macaprev), foi indicado ao cargo na Amprev pelo governador Clécio Luís (União Brasil). Esta indicação foi, segundo fontes, uma articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), evidenciando a complexidade das relações políticas em jogo.
O Cenário Político e as Consequências
A renúncia de Jocildo Lemos traz à tona questões sobre a confiança pública nas instituições de previdência e sua gestão financeira. Especialistas em previdência e finanças públicas observam que a transparência e a responsabilidade fiscal são essenciais para garantir a integridade das operações de investimento dessas entidades. O caso também levanta um alerta sobre a importância de uma gestão ética e transparente em tempos de crescente fiscalização.
O governador Clécio Luís, que é aliado de Davi Alcolumbre, agora enfrenta o desafio de nomear um novo diretor-presidente que mantenha a integridade da Amapá Previdência. A situação se torna ainda mais delicada diante da expectativa de como as investigações da Polícia Federal avançarão e quais serão suas implicações para a política local.
A renúncia de Jocildo Lemos é mais do que uma simples mudança de comando; é um indicativo de um cenário político turbulento que pode afetar não apenas a Amapá Previdência, mas todo o sistema público de previdência do estado. O desfecho dessa história ainda está por vir, mas a expectativa é de que mais informações sobre os desdobramentos da operação e suas consequências políticas sejam reveladas nos próximos dias.
