Transparência e Investimentos em Debate
Um relatório interno da Amapá Previdência, referente ao período de julho a setembro de 2025, declara que a política de investimentos e a transparência da instituição “não necessitam de ação corretiva”. No entanto, o documento surpreendentemente não menciona a aplicação de R$ 400 milhões em letras financeiras do Banco Master, gerido por Daniel Vorcaro, levantando questionamentos sobre a abrangência da análise realizada.
A Amapá Previdência, responsável pelo pagamento das aposentadorias dos servidores do estado, opera sob o controle do governo local e tem enfrentado crescente escrutínio em relação à gestão de seus recursos. O relatório sugere que a instituição está em conformidade com suas diretrizes, mas a ausência de informações sobre investimentos significativos gera dúvidas.
Recentemente, a situação da previdência no estado foi alvo de investigações por parte da Polícia Federal. Na manhã de sexta-feira, 6, a PF desencadeou a Operação Zona Cinzenta em Macapá, que investiga possíveis irregularidades relacionadas à aplicação de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS/AP). Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos na capital, com autorização da 4ª Vara da Justiça Federal.
A operação da PF é um desdobramento dos esforços para garantir a correta utilização dos recursos previdenciários. Os R$ 400 milhões em questão foram aplicados em Letras Financeiras do Banco Master, uma operação considerada de alto risco, o que aumenta as preocupações sobre a viabilidade e a segurança desses investimentos.
Os críticos destacam que, em um momento em que a transparência é mais necessária do que nunca, a falta de informações claras sobre esse tipo de investimento pode prejudicar a confiança dos servidores e da população em geral na gestão da Amapá Previdência. Especialistas em finanças públicas ressaltam que operações de alto risco demandam um nível de supervisão e transparência elevado, especialmente quando se trata de recursos que garantem a aposentadoria de milhares de trabalhadores.
Embora a Amapá Previdência tenha afirmado que sua política de investimentos está em conformidade com a legislação, a omissão de informações relevantes no relatório levanta questões sobre o real estado das finanças da instituição e se as medidas de transparência estão, de fato, sendo implementadas de maneira efetiva.
A situação seguirá sendo monitorada, principalmente à medida que a Polícia Federal avança com suas investigações e a sociedade civil continua exigindo maior clareza nas ações governamentais que envolvem recursos públicos. A expectativa é que os desdobramentos da Operação Zona Cinzenta tragam à luz informações importantes sobre a saúde financeira da previdência estadual e a responsabilidade de seus gestores.
