Ambiente Perigoso e a Falta de Sinalização
A Rampa Náutica Ocivaldo Gato, localizada na Orla do Araxá em Macapá, vive uma situação alarmante após registrar a segunda morte por afogamento em menos de um ano. Inaugurada em abril de 2025 com a intenção de facilitar o acesso de embarcações e fomentar o turismo, a estrutura de concreto tornou-se palco de acidentes graves devido à ausência de barreiras físicas e sinalização adequada para os banhistas.
A mais recente vítima, identificada como Fabrício Oliveira, de apenas 21 anos, mergulhou no local acompanhada de amigos na última segunda-feira (2). Infelizmente, a força da correnteza do Rio Amazonas surpreendeu o grupo. Enquanto os amigos conseguiram retornar à margem, Fabrício foi puxado pela correnteza e acabou desaparecendo. Seu corpo foi encontrado após três horas de buscas por mergulhadores do Corpo de Bombeiros Militar do Amapá (CBMAP), com a ajuda de imagens de um totem de segurança da Guarda Municipal.
Esse incidente trágico reviveu a dor da família de Erick Gomes Pimentel, um adolescente de 17 anos que, em julho de 2025, também perdeu a vida no mesmo local. Ele estava lavando uma bicicleta na rampa quando foi arrastado pela maré. Esses casos evidenciam o alto risco que o local representa, onde as fortes correntes subaquáticas se encontram com uma estrutura que não foi projetada para o lazer de banhistas, mas para o trânsito de lanchas e jet skis.
Apesar deste histórico sombrio, a rampa continua aberta ao público, sem qualquer aviso que proíba ou alerte sobre os riscos de banho. O CBM confirmou que uma sinalização que existia anteriormente foi retirada e ainda não substituída, o que contribui para uma falsa sensação de segurança entre os frequentadores. A corporação alertou que a variação da maré e a força das águas naquela área tornam o ambiente extremamente perigoso para quem se aventurar sem embarcação.
Atualmente, o espaço é amplamente utilizado por moradores e turistas para diversas atividades de lazer, sem que haja controles rigorosos ou novas sinalizações visuais que alertem sobre os perigos. A repetição de tragédias em um curto espaço de tempo levanta sérias questões sobre a responsabilidade das autoridades públicas na manutenção da segurança e na adoção de medidas preventivas contra novos acidentes na área portuária da orla de Macapá.
