Inovação e Sustentabilidade em Foco
O agronegócio brasileiro terá destaque na programação do São Paulo Innovation Week (SPIW), que ocorrerá entre os dias 13 e 15 de maio. O evento, que será realizado no Pacaembu e na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), irá abordar de forma ampla a importância do Brasil na economia global e no sistema alimentar. Sob a curadoria de Marcos Jank, colunista do Estadão e coordenador do núcleo de agronegócio global no Insper, e Ana Paula Malvestio, fundadora da Hólon Consultoria em Governança, o evento reunirá empresários, acadêmicos e executivos para discutir desde geopolítica até inovações tecnológicas no campo.
A programação foi estruturada ao longo de três dias, com um foco particular em posicionar o agronegócio brasileiro como uma potência produtiva e um protagonista em temas como segurança alimentar, sustentabilidade e transição energética. Jank enfatiza que a eficiência na produção de commodities, como soja e milho, está ligada ao uso de tecnologias avançadas, ressaltando a importância da agricultura de precisão, que pode reduzir até 70% a necessidade de pesticidas.
Entre os palestrantes confirmados, destacam-se Silvia Massruhá, a primeira mulher a presidir a Embrapa, e Beto Abreu, presidente da Suzano. Outros nomes relevantes incluem Teka Vendramini, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, e Marcelo Batistela, vice-presidente da BASF. O evento também contará com a presença de economistas e especialistas, como Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos BRICS, e Geyze Diniz, cofundadora do Pacto Contra a Fome.
Agenda do Evento
No primeiro dia, a programação se concentrará em inovação e sustentabilidade. Os painéis, como “Do solo ao token: como o digital está impactando o agro”, discutirão como tecnologias emergentes, desde plataformas digitais até a tokenização de ativos, estão transformando a lógica do setor. Além disso, serão abordadas questões sobre bioenergia e liderança, evidenciando a importância de modelos já consolidados em meio às mudanças climáticas.
O segundo dia avançará com uma visão mais ampla sobre o futuro da alimentação, com discussões sobre produtividade e a percepção internacional do agronegócio, questionando se o setor é visto como “herói ou vilão”. Painéis sobre o desperdício de alimentos e a eficiência das cadeias alimentares também farão parte da agenda.
No último dia, o enfoque será geopolítico e estratégico, com temas como “Diplomacia dos alimentos: o agronegócio na nova ordem global”. Essa abordagem posicionará o Brasil como um ator relevante na disputa global por poder e influência por meio de alimentos e commodities. A presença de especialistas irá reforçar a ideia de que o agro é, atualmente, mais do que um setor econômico, mas um instrumento crucial de política externa.
Outro ponto de destaque será a sustentabilidade como diferencial competitivo. O painel “Agro regenerativo: quando fazer o bem vira vantagem competitiva” exemplifica essa mudança de perspectiva, onde práticas ambientais são vistas como alavancas de valor no mercado internacional.
Conforme Jank, a curadoria do evento visa contar uma história coerente: o agronegócio brasileiro está em um processo de transição. O setor, que tradicionalmente se baseava em escala e produtividade, começa a adotar uma agenda mais complexa, que envolve tecnologia, imagem internacional e governança. “O SPIW será um espaço fundamental para discutir todas essas transformações”, conclui o colunista do Estadão.
