Colaboração entre Justiça e Saúde para a Prevenção de Suicídios
O Ministério Público do Amapá (MPAP) deu um importante passo na promoção da saúde mental ao implantar o Projeto Atuação pela Vida em Macapá. Este projeto é focado na prevenção do suicídio e da automutilação, capacitando agentes comunitários de saúde e outros profissionais da rede municipal. Reconhecido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como um dos vencedores do Prêmio Justiça e Saúde, a iniciativa se destaca por sua relevância em um estado onde iniciativas de prevenção ao suicídio são escassas.
A avaliação positiva do projeto foi refletida na premiação recebida na categoria Sistema de Justiça, no Eixo Temático II. Isso demonstra a contribuição significativa que a ação traz à visibilidade da prevenção ao suicídio na região. O Centro de Apoio Operacional da Saúde (CAOP-Saúde) é a entidade responsável por coordenar as atividades do MPAP nesse contexto.
Resultados Notáveis Após Quatro Anos de Atividades
Com quatro anos de execução, o projeto já apresenta resultados promissores. O psicólogo Washington Brandão, coordenador do Ambulatório de Atenção à Crise Suicida (Ambacs) da Universidade Federal do Amapá (Unifap), atesta que a continuidade das ações tem gerado impactos positivos. “A execução é continuada e com resultados comprovados”, afirma.
Dados do Serviço de Vigilância em Saúde do Amapá revelam que, em uma média, 12 em cada 100 mil habitantes cometem suicídio, uma taxa 50% superior à média nacional, que é de oito suicídios a cada 100 mil pessoas.
Formação de Profissionais para Salvar Vidas
O sofrimento psíquico, especialmente entre os jovens, e a fragilidade da Rede de Atenção Psicossocial, que enfrenta a escassez de profissionais especializados e a dificuldade de acesso aos serviços de saúde mental, motivaram o MPAP a se concentrar na formação de profissionais que atuam na linha de frente. Essa capacitação é feita em parceria com a Universidade Federal do Amapá (Unifap).
O projeto tem como meta principal contribuir para a prevenção do suicídio no estado. Isso ocorre por meio de ações educativas, formativas e de escuta psicológica, conforme o texto apresentado para a premiação. As atividades incluem conscientização e sensibilização dos profissionais de saúde, além de escuta psicológica itinerante.
A formação é realizada por meio de palestras e rodas de conversa, com um forte enfoque na escuta ativa. Agentes comunitários de saúde, por exemplo, são preparados para atender a situações de vulnerabilidade emocional nas comunidades onde atuam. “Queremos dar capilaridade a esse conhecimento, aumentando a rede de escuta e acolhimento, garantindo que as pessoas que acessam as residências estejam aptas a observar os sinais, escutar com atenção e acionar os serviços adequados”, explica Wueber Penafort, promotor de justiça e coordenador do CAOP-Saúde.
Fortalecendo a Rede de Atenção Psicossocial
Outro aspecto importante do Projeto Atuação pela Vida é seu papel no fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) e na prevenção da judicialização de demandas na área da saúde mental, que ainda carece de atenção no estado, segundo Brandão. “São poucas as ações nesse sentido. Agora, com a instituição dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) em Macapá, estamos avançando para atender essa demanda crescente”, destaca.
De acordo com o MPAP, o projeto já formou 1.134 profissionais das áreas de saúde, educação, assistência social e segurança pública. Além disso, as escutas psicológicas itinerantes totalizam 181 atendimentos realizados até o momento.
Divulgação Responsável e Conscientização
Paralelamente, o projeto também capacitou 160 profissionais da imprensa, com o intuito de promover uma divulgação responsável sobre casos de suicídio. Esse aspecto é fundamental para conscientizar a população e reduzir o estigma relacionado à saúde mental.
