Renúncia e Motivações Políticas
O prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), anunciou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5). Em um ofício enviado à Câmara Municipal, o gestor justificou a decisão como uma estratégia para concorrer ao Governo do Amapá nas eleições de 2026. Essa movimentação é necessária devido à exigência constitucional de afastamento de ocupantes de cargos executivos pelo menos seis meses antes das eleições.
Furlan já havia sido afastado por 60 dias em decorrência de uma investigação que apura um suposto esquema de fraude em licitações relacionadas a contratos da Secretaria Municipal de Saúde. A operação foi deflagrada na quarta-feira (4) pela Polícia Federal.
Assumindo a Prefeitura
Durante o período de afastamento do prefeito e do vice-prefeito, Mario Neto (Podemos), quem assumiu a prefeitura foi o presidente da Câmara Municipal, Pedro da Lua (União Brasil). Essa transferência de poder ocorre enquanto as investigações prosseguem, envolvendo não apenas Furlan, mas também outros membros da administração municipal, incluindo a secretária de Saúde, Erica Aranha de Sousa Aymoré, e o presidente da Comissão Especial de Licitação, Walmiglisson Ribeiro da Silva.
A operação, determinada pelo ministro Flávio Dino, do STF, resulta de alegações que envolvem direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal está focada no projeto de engenharia do Hospital Geral Municipal de Macapá, onde há indícios de irregularidades financeiras.
Contexto das Investigações
As investigações se concentram em recursos federais que foram transferidos ao município entre 2020 e 2024, totalizando cerca de R$ 128,9 milhões, conforme relatório da Controladoria-Geral da União. Esse montante inclui verbas destinadas à construção do Hospital Geral Municipal, um projeto fundamental para a cidade.
Em suas redes sociais, Furlan alegou ser alvo de uma perseguição política, afirmando que sua candidatura ao governo do Amapá é respaldada por um desejo público, conforme indicam pesquisas de intenção de voto. Ele enfatizou que essa decisão é um reflexo das expectativas da população em relação à sua liderança.
Conflitos e Controvérsias
Furlan, que tem se posicionado como um adversário político do senador Davi Alcolumbre (União Brasil), também trocou de partido recentemente, deixando o MDB para se filiar ao PSD. Sua trajetória política tem sido marcada por controvérsias; em agosto do ano passado, ele se envolveu em um incidente onde aplicou um mata-leão em um cinegrafista durante uma abordagem sobre obras ligadas à maternidade investigada.
Esta é a terceira operação da Polícia Federal envolvendo Furlan. Anteriormente, em 2024, ele foi investigado por suspeitas de fraude em uma obra de urbanização na orla da cidade, e em 2022, sua esposa, Rayssa Furlan (Podemos), foi candidata ao Senado, em uma disputa acirrada contra Alcolumbre.
Pauta Eleitoral
Na corrida eleitoral de 2026, Furlan se prepara para enfrentar o atual governador Clécio Luís Vieira (União Brasil), que faz parte da base política de Alcolumbre. O prefeito, que foi reeleito em 2024 com 85% dos votos válidos, representa uma forte oposição no cenário político local, especialmente em um período em que a credibilidade das instituições e das lideranças é frequentemente questionada.
Naturalizado brasileiro, Dr. Furlan é médico de formação e já atuou como deputado estadual em 2014 e 2018, antes de vencer as eleições para a prefeitura em 2020, derrotando Josiel, irmão de Davi Alcolumbre, em um pleito marcado pela pandemia de Covid-19.
