Suspeitas de Fraude Marcam a Renúncia de Dr. Furlan
Na última quinta-feira (5), o prefeito de Macapá, Dr. Furlan, do PSD, anunciou sua renúncia ao cargo. Em um ofício direcionado à Câmara Municipal, ele explicou que a decisão estava ligada a sua intenção de concorrer ao Governo do Amapá nas eleições de 2026. Essa medida, por sinal, é necessária devido à exigência constitucional que obriga candidatos que ocupam cargos executivos a se afastarem até seis meses antes do pleito.
Essa renúncia veio após o prefeito ser afastado por 60 dias em decorrência de uma investigação que apura um possível esquema de fraude em licitação vinculada a contratos da Secretaria Municipal de Saúde. A operação, conduzida pela Polícia Federal, detém foco em alegações de manipulação de licitações e desvio de recursos públicos.
Assunção e Desdobramentos das Investigações
Com a saída temporária de Dr. Furlan, o presidente da Câmara Municipal, Pedro da Lua (União Brasil), assumiu interinamente a prefeitura. Além do prefeito, a operação da PF também visou o vice-prefeito, Mario Neto (Podemos), e outros servidores públicos, incluindo a secretária municipal de Saúde, Érica Aranha de Sousa Aymoré, e Walmiglisson Ribeiro da Silva, presidente da Comissão Especial de Licitação. Até o momento, as defesas dos envolvidos não foram contatadas para se pronunciar sobre o assunto.
Em seu ofício, Furlan alegou que sua decisão foi impulsionada por um “anseio público” manifestado em pesquisas de intenção de voto, as quais, segundo ele, indicam um apoio significativo à sua futura candidatura ao governo estadual. “Minha decisão está pautada num anseio público, que vem sendo materializado em inúmeras pesquisas de intenção de voto”, afirmou.
Rivalidades e Conflitos Políticos em Cena
Dr. Furlan é considerado um oponente político do senador Davi Alcolumbre (União Brasil) no Amapá. Recentemente, o prefeito deixou o MDB para se juntar ao PSD, uma troca que pode ter implicações na dinâmica política local. A investigação em curso busca esclarecer um suposto esquema criminoso envolvendo agentes públicos e empresários que teriam direcionado licitações e desviado recursos federais.
No centro da apuração, está o projeto de engenharia e execução das obras do Hospital Geral Municipal de Macapá, com mandados de busca e apreensão sendo cumpridos em várias cidades, incluindo Belém e Natal. Os recursos federais sob investigação, que totalizam cerca de R$ 128,9 milhões, foram transferidos ao município entre 2020 e 2024, e parte delas está relacionada com a construção do hospital mencionado.
Percepção de Perseguição e Acontecimentos Passados
Nas redes sociais, Dr. Furlan insinuou que sua situação seria resultado de perseguição política, referindo-se a “ataques, perseguições e atrasos”. É importante lembrar que em agosto do ano passado, o prefeito teve um confronto com o cinegrafista Iran Froes, que integra a equipe do jornalista Heverson Castro, após questionamentos sobre as obras da maternidade mencionadas nas investigações.
Essa não é a primeira vez que Dr. Furlan se vê no alvo da Polícia Federal. Em 2024, ele já havia sido investigado por indícios de fraudes na execução de obras de urbanização na orla de Macapá. Naquela oportunidade, o prefeito também se declarou vítima de perseguições políticas. Em 2022, a esposaria de Furlan, Rayssa Furlan (Podemos), disputava uma vaga no Senado contra Alcolumbre, em um contexto marcado por rivalidades familiares relevantes na política local.
Desafios Futuros e Cenário Eleitoral
À medida que se aproxima o pleito de 2026, Dr. Furlan se prepara para enfrentar o atual governador do Amapá, Clécio Luís Vieira (União Brasil), que faz parte da base política de Davi Alcolumbre. Em 2024, Furlan conseguiu se reeleger com expressivos 85% dos votos válidos no primeiro turno, conquistando a maior aprovação para um candidato ao Executivo municipal naquele ano. Nascido na Costa Rica, Furlan é naturalizado brasileiro e, antes de seu cargo atual, já ocupou o cargo de deputado estadual amapaense em 2014 e 2018, tendo sido eleito prefeito em 2020 ao derrotar o irmão do senador Davi Alcolumbre.
