A Guerra no Irã e Seus Impactos no Mercado de Petróleo
CHICAGO – Os preços do petróleo superaram a marca de US$ 100 por barril, alcançando esse patamar pela primeira vez em mais de três anos e meio. O aumento se deve, em grande parte, ao impacto da guerra em curso no Irã, que tem dificultado tanto a produção quanto o transporte de petróleo no Oriente Médio. Outro fator que pesou sobre os preços foi o anúncio, realizado no último domingo (8), de que o aiatolá Mojtaba Khamenei, filho do falecido Ali Khamenei, foi escolhido como novo líder supremo do Irã.
Por volta das 20h (horário de Brasília), o preço do barril de petróleo Brent, referência internacional, alcançou US$ 107,90, representando uma alta superior a 16% em relação ao fechamento de US$ 92,69 na sexta-feira anterior.
Conforme apontado pela empresa de pesquisa Rystad Energy, aproximadamente 15 milhões de barris de petróleo bruto, o equivalente a cerca de 20% da produção global, são transportados diariamente pelo Estreito de Ormuz. No entanto, a ameaça de ataques com mísseis e drones iranianos tem praticamente impedido a passagem de petroleiros pelo estreito, que faz fronteira ao norte com o Irã e é vital para o transporte de petróleo e gás de países como Arábia Saudita, Kuwait, Iraque, Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Irã.
Além disso, países como Iraque, Kuwait e os Emirados Árabes Unidos começaram a reduzir sua produção de petróleo devido ao acúmulo de estoques, uma consequência da diminuição nas capacidades de exportação do petróleo bruto. O cenário se complica ainda mais com os recentes ataques a instalações de petróleo e gás realizados pelo Irã, Israel e Estados Unidos desde o início do conflito, o que intensificou as preocupações sobre o abastecimento global de energia.
O Impacto Econômico da Alta do Petróleo
A última vez que os preços do petróleo bruto nos EUA atingiram a faixa de US$ 100 foi em 30 de junho de 2022, quando o barril marcou US$ 105,76. Para o Brent, o último registro acima dessa marca ocorreu em 29 de julho de 2022, com um preço de US$ 104 por barril. O aumento dos preços globais desde os ataques de Israel e EUA ao Irã, ocorridos em 1º de março, abalou os mercados financeiros. Há preocupações significativas de que os custos crescentes da energia possam impulsionar a inflação e resultar em uma diminuição dos gastos dos consumidores americanos, que são fundamentais para a economia.
Nos Estados Unidos, o preço do galão de gasolina convencional subiu para US$ 3,45 no último domingo, um aumento de aproximadamente 47 centavos em comparação à semana anterior, conforme dados do clube automotivo AAA. O diesel, por sua vez, chegou a ser vendido a cerca de US$ 4,60 por galão, apresentando uma alta semanal de cerca de 83 centavos. O preço do gás natural também registrou um aumento, embora em menor intensidade, com uma alta de cerca de 11% na semana anterior.
Se a cotação do petróleo continuar acima de US$ 100 por barril, especialistas e investidores estão preocupados com a possibilidade de que isso se torne insustentável para a economia global.
No fim de semana, as forças armadas de Israel realizaram ataques a depósitos de petróleo em Teerã, afetando também quatro navios-tanque de armazenamento de petróleo e um terminal de transferência. Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do parlamento iraniano, alertou que a situação da guerra poderá provocar um ciclo negativo na indústria petrolífera, dificultando a produção e a venda de petróleo em breve.
Atualmente, o Irã exporta cerca de 1,6 milhão de barris de petróleo diariamente, predominantemente para a China. Caso as exportações iranianas sejam interrompidas, isso pode forçar a China a buscar outros fornecedores, um aspecto que também poderia influenciar o aumento dos preços da energia no mercado global.
