Respostas e Falhas na Política Internacional
A cada grande evento global, a política externa adotada pelo Brasil, sob a liderança de Lula, parece frequentemente errar o alvo. A situação atual é, no mínimo, alarmante. Fica a saudade dos tempos em que a política externa era uma questão de Estado, e não apenas uma extensão do governo. A falta de um pragmatismo responsável é evidente.
Duas dias antes do recente ataque ao Irã, Lula demonstrou, mais uma vez, uma falta de informação preocupante. Em um evento em Minas Gerais, ele mencionou as ameaças de Donald Trump ao país persa, sem se dar conta de que uma mobilização militar já estava em andamento. Enquanto ele falava, os indícios de um ataque iminente eram palpáveis, mas aparentemente, não chegaram até ele.
Após o ataque que resultou na morte do Ayatollah e do ex-presidente iraniano Ahmadinejad, o Itamaraty se posicionou, emitindo uma nota que condenava a ação. O governo brasileiro argumentou que a situação deveria ser resolvida por meio de negociações. Entretanto, negociar com terroristas causa perplexidade. Afinal, quem em sã consciência acredita que um diálogo efetivo pode ocorrer sem antes haver um reconhecimento de poder?
Trocas de Comando e Histórias de Violência
Outra mudança significativa ocorreu na liderança da Guarda Revolucionária do Irã. O novo comandante, Vahidi, é uma figura controversa, conhecido por seu envolvimento em um ataque ao centro comunitário da AMIA em Buenos Aires em 1994, que resultou em um trágico saldo de 80 mortos e mais de 300 feridos. Vahidi, que já foi procurado pela Justiça argentina, agora assume um papel de destaque na estrutura militar do regime iraniano.
Enquanto isso, a relação do Brasil com o Irã é questionável. Recentemente, dois navios iranianos, considerados pelo governo dos EUA como embarcações associadas ao terrorismo, foram autorizados a desembarcar no Rio de Janeiro, desafiando as exigências norte-americanas. Essa proximidade com o regime iraniano levanta sérias preocupações sobre a segurança e a política externa brasileira.
Contexto Histórico e Comparações Necessárias
O ataque ao Irã, que muitos veem como um esforço para libertar o povo da opressão teocrática, reverbera com comparações históricas. O antigo regime monárquico do Irã, que contava com a figura do xá, é um tema que frequentemente surge nas discussões sobre a atualidade. O retorno ao poder da monarquia, representada pelo filho do ex-xá, Reza Pahlavi, é uma possibilidade que começa a ganhar força entre os cidadãos que almejam liberdade.
É assustador pensar que, com a ascensão dos Ayatollahs, as condições das mulheres no Irã se deterioraram a tal ponto que são tratadas como inferiores, negando-lhes direitos básicos e dignidade. A indiferença de algumas vozes feministas no Brasil em relação a essa realidade é, no mínimo, desconcertante. A luta pela liberdade das mulheres no Irã merece ser celebrada e apoiada.
Articulações Políticas e Questões Internas
Em meio a esse cenário de tensões, também surgem questões internas no Brasil. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que permanece em evidência, interage com seus apoiadores por meio de bilhetes, onde faz recomendações políticas e expressa preocupações sobre a segurança de sua família, como o caso de seu filho Flávio, que tem tomado precauções diante de ameaças. As articulações políticas de Bolsonaro continuam a gerar debates acalorados entre os diferentes setores do governo.
Além disso, a decisão de Gilmar Mendes em reverter uma determinação legislativa e impedir a abertura do sigilo envolvendo os irmãos de Dias Toffoli e sua empresa é um indicativo de como o sistema político brasileiro se encontra em uma encruzilhada. Essa manobra judicial levanta questionamentos sobre a legitimidade das decisões tomadas em um Estado democrático.
A política externa do Brasil, agora sob a batuta de Lula, está longe de ser clara e coesa, refletindo uma série de erros que podem ter consequências significativas. A falta de informações precisas, a proximidade com regimes controversos e as articulações políticas internas criam um cenário onde a segurança e a integridade do Brasil são colocadas em risco.
