Aumento Significativo de Casos de Doenças Respiratórias
Um estudo recente apresentado pelo Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), revela um aumento alarmante de aproximadamente 95% nos casos de doenças respiratórias nas últimas seis semanas em diversas regiões do Brasil. A influenza A desponta como um dos principais vilões nessa escalada, já que o vírus, que tradicionalmente tem alta atividade nos períodos de outono e inverno, registrou um pico de infecções na semana epidemiológica 10, entre 8 e 14 de março.
O InfoGripe destaca que a influenza A continua a se propagar em nível nacional, contribuindo significativamente para o aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em estados como Mato Grosso, Amapá e Espírito Santo. Os dados sobre os casos notificados de SRAG indicam uma tendência crescente a longo prazo.
No atual ano epidemiológico de 2026, o Brasil já contabiliza 20.311 casos de SRAG, dos quais 7.523 testaram positivo para algum vírus respiratório, 8.398 resultaram negativos e 2.853 ainda aguardam resultados laboratoriais. Dentre os positivos, 41,9% são atribuídos ao rinovírus, 21,8% à influenza A, 14,7% ao Sars-CoV-2 (Covid-19), 13,4% ao vírus sincicial respiratório (VSR) e 1,5% à influenza B.
A Gravidade dos Óbitos Relacionados
Em relação aos óbitos, a situação também é preocupante: 37,3% das mortes estão associadas ao Sars-CoV-2, 28,6% à influenza A, 21,8% ao rinovírus, 4,5% ao VSR e 2,5% à influenza B. Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, a influenza A teve uma prevalência de 30,8% entre os óbitos.
A análise realizada aponta que os casos de SRAG têm apresentado uma tendência de alta no Brasil, tanto em um horizonte de longo prazo, considerando os últimos seis meses, quanto em um panorama de curto prazo, observando os últimos três meses. Até a semana epidemiológica 10, todos os estados, com exceção do Piauí, registraram crescimento consistente nessa tendência ao longo do tempo.
Impacto nas Faixas Etárias
Estudos indicam que crianças e adolescentes estão mais suscetíveis ao rinovírus, enquanto a influenza A afeta predominantemente jovens, adultos e idosos. Embora a Covid-19 continue apresentando uma baixa taxa de incidência, seus impactos são mais evidentes entre os idosos, especialmente em estados da região Sudeste, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. A crescente taxa de hospitalizações está intimamente ligada, principalmente, ao rinovírus, à influenza A e ao VSR.
Atualmente, 20 estados e o Distrito Federal estão em níveis de alerta, risco ou alto risco, em relação à atividade de SRAG, nos últimos 14 dias. Os estados afetados incluem Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, além do Distrito Federal, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
Dados Específicos de Santa Catarina
Em Santa Catarina, embora tenha havido um aumento nos casos de doenças respiratórias, a região está classificada como estando em nível de “segurança”. Isso significa que a incidência de SRAG permanece em níveis relativamente baixos, o que é considerado seguro para a população local.
De acordo com o Centro de Informações Estratégicas para a Festão do SUS (Cieges-SC), até sexta-feira (20), o estado contabilizou mais de mil casos confirmados de SRAG, com 89 mortes associadas a essas condições. Desse total, 117 foram identificados como Covid-19, 150 como influenza, 287 como rinovírus e 15 como VSR. O que mais impressiona é que 800 casos foram classificados como agentes não identificados, além de 19 relacionados a outros agentes não contabilizados e 64 a variedades de vírus, como parainfluenza, adenovírus, metapneumovírus, bocavírus, entre outros tipos de infecções virais.
Segundo o Cieges, é importante destacar que doenças crônicas, como as neurológicas, renais e respiratórias, incluindo a asma, são fatores que podem levar ao desenvolvimento de casos graves de SRAG. A situação exige vigilância e ações efetivas para minimizar o impacto dessas infecções na saúde pública.
