Esquema de Corrupção em Goiás e Amapá
A Polícia Federal (PF) está em busca de um dos empresários implicados em um suposto desvio de recursos públicos ligados a organizações sociais em Goiás durante a pandemia no Amapá. A informação foi confirmada por fontes do Jornal Opção. Até agora, Roberto Leandro Carvalho é o único dos suspeitos que não foi preso na operação realizada na quarta-feira, 15. Esta ação é fruto da colaboração entre a PF e a Controladoria-Geral da União.
Roberto Leandro Carvalho é um dos sócios da Mediall Brasil, junto com Hilton Rinaldo Salles Piccelli e Rudson Teodoro da Silva, que já foram detidos. Outro nome envolvido é Otávio Guimarães Favoreto, ligado à Lifecare, que também teria conexões com o grupo Mediall.
Além dos empresários, o médico Sérgio Daher, superintendente da Agir, e dois de seus filhos, estão entre os alvos de mandados de busca. Ao todo, a operação conta com 50 ordens judiciais, que visam investigar crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro, relacionados a contratos superfaturados e manipulação de licitações em organizações sociais e hospitais de campanha destinados ao combate da Covid-19.
A reportagem do Jornal Opção tenta contato oficial com a Mediall Brasil, mas até o momento não há informações sobre a representação legal dos indivíduos detidos. O espaço permanece aberto para manifestações de qualquer parte envolvida. O Jornal também solicitou um posicionamento à Agir e à Secretaria de Estado da Saúde, aguardando respostas sobre a situação.
Desvio de Recursos Públicos
A Operação Makot Mitzrayim está executando 18 mandados de busca e apreensão nos estados de Goiás, Tocantins e Maranhão. Esta fase da investigação se concentra na identificação de desvios de recursos públicos que ocorreram por meio da terceirização e quarteirização de contratos com duas organizações sociais que atuaram em Goiás.
Até o momento, as investigações indicam que essas entidades contrataram empresas para prestação de serviços e acabaram recebendo valores significativamente acima do mercado. As verbas desviadas, além de enriquecerem fraudulentamente os responsáveis pelas organizações, também foram supostamente utilizadas para corromper servidores públicos que deveriam fiscalizar esses contratos.
Simultaneamente, a Operação Rio Vermelho está realizando 28 mandados de busca e apreensão, além de quatro prisões preventivas. Este desdobramento investiga possíveis irregularidades na gestão de recursos públicos que deveriam ser direcionados ao enfrentamento da pandemia de Covid-19, especificamente em um hospital de campanha sob a responsabilidade de uma organização social.
As investigações tiveram início a partir de auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União, que revelaram que a organização social teria sido utilizada como um meio para obter lucros indevidos através de contratações financiadas com verbas públicas. Além disso, as apurações indicam a possibilidade de que a estrutura das contratações tenha levado à precarização das relações de trabalho, utilizando mecanismos fraudulentos.
